21.3.16

DE DESERTO VIRAMOS PÂNTANO

CARLOS CHAGAS -


Nem vale à pena lembrar presidentes da República. Tivemos luminares, de espírito público, visão e capacidade. Governadores, também. Até prefeitos de capital. Quem quiser que recorde, as opiniões variam, melhor não cometermos injustiças. Assim, como não podemos deixar de lembrar o reverso da medalha, quer dizer, verdadeiras cavalgaduras ocupando presidências da República, governos estaduais e prefeituras. Sucessivos períodos revezam-se na memória nacional, ora dignos de elogio, ora condenados à execração, como agora.

O que não dá para engolir é o que acontece hoje, mesmo poupando-se o constrangimento de fulanizações atuais. Conseguirá o leitor, em sã consciência, citar um único prefeito de capital digno de referência? Em matéria de governadores, sobrará algum pronto para ocupar  o palácio do Planalto? Quanto a ex-presidentes da República,  pior ainda.

Em determinada época, Osvaldo Aranha rotulou o Brasil de “deserto de homens e ideias”. Talvez as coisas tenham piorado, melhor trocar deserto por pântano. Do Amazonas ao Rio Grande do  Sul, não se livra nenhum governante.  Tempo havia em que no meio de tanta mediocridade, salvavam-se alguns.  Agora, nem isso.

Tome-se  a presidência da República. Por caridade, vamos esquecer Madame. Alguém conhece seus planos de governo? Suas realizações? A perspectiva de seu futuro? Até invertendo a equação, ainda tivemos esta semana um exemplo vexatório: quem será o candidato dela à própria sucessão, excluído aquele que nem chefe da Casa Civil  conseguiu emplacar?

NEM CONHECE OS MINISTROS

Dilma não conseguiu  citar mais do que seis  ministros,  esta semana, quando  deparou-se com  o ministério. Faça uma prova o caro  amigo que perde  tempo com  estas linhas: será capaz de nomear os 27 cuja fisionomia ignora, quanto mais o nome de  batismo de cada um? A que obras ou objetivos dedicam-se habitualmente?

Com relação  aos governadores, o desastre surge mais profundo. Alguém citará os atuais? Um único deles terá seu nome lembrado como possível candidato a presidente da República? E os prefeitos, faz muito que eram referidos, mas hoje?

Dias atrás destacávamos aqui o nome de Milton Campos, então governador de Minas. Ele e quantos mineiros a  mais mereceriam emergir como presidentes das República? Pedro Aleixo, Afonso Arinos, Bilac Pinto, Oscar Correia, Magalhães Pinto, Israel Pinheiro… Hoje, não sobra nenhum, multiplicando-se Minas pelo restante da Federação.

Por mais cruel que possa parecer, de deserto viramos pântano.