12.3.16

MOMENTO TORMENTOSO, FHC COMPROU A PRÓPRIA REELEIÇÃO, RESPONSÁVEL PELA REELEIÇÃO DE DILMA

HELIO FERNANDES -

Hoje, sábado, nenhum momento de tranqüilidade, calma ou pausa, para reflexão. Promotores de SP denunciam o ex-presidente Lula, pedem prisão preventiva, acrescentam irresponsavelmente: "Ele pode ser condenado a 13 anos de prisão".

Que punição mereciam ou mereceriam esses promotores, provocando ou estimulando uma conflagração ainda mais grave do que já está? Só isso já seria suficiente para a preocupação total. Mas existe muito mais.

A convenção do PMDB não pode ser desprezada numa analise mais aprofundada do futuro. A cúpula do partido tem estimulado a indecisão em relação ao que será decidido hoje.

Três hipóteses, todas melífluas e sem convicção

1- Rompimento mantendo os cargos que já ocupa.  2-Distanciamento com independência. 3 - A menos provável: independência para valer, entregar todos os cargos, assumir a "conspiração” de bastidores, jogar abertamente pela derrubada de Dona Dilma palavra de ordem seria então, apostar tudo na renuncia dela.

Ontem, enfraquecidissima, a presidente queria nomear Lula Ministro imediatamente. Ele é que resistia, por considerar decisão imprudente ou impertinente. E pelo que já analisei aqui, quando foi convidado: considera que pode haver eleição antes de 2018, ficaria incompatibilizado.

Não quer ser Ministro e sim presidente novamente. (Como pretendia ser em 2014, o movimento conhecido como "volta, Lula"). Foi vetado pela própria Dilma, que agora tanto insiste em transformá-lo em ministeriável.

Ontem, sexta, inconveniente, inconsistente, incoerente: "Só tomarei qualquer decisão mais importante depois da convenção do PMDB”. È uma espécie de respeito e consideração com uma legenda que não tem o menor respeito pela sua condição de presidente. O PMDB é um partido que tem a obsessão de substituí-la. No momento, o único ato retumbante de Dona Dilma é a nomeação de Lula. E isso está distante da dependência da convenção do PMDB ou de qualquer outro partido. Incluindo o PT.

A outra posição de Dona Dilma, sem a menor veracidade ou autenticidade: "Não renunciarei, não é o meu estilo". No momento a presidente está tão fragilizada que não pode garantir nada. Nem pretendo compará-la com Vargas, mas existem dois pontos na vida publica dos dois. Vargas sofreu impeachment, ganhou. Insistiram (a oposição naquela época era para valer), respondeu "Não renunciarei". Sua decisão está na Historia para sempre.

Num dialogo de alto nível, convocaria uma cadeia de TV, com a seguinte proposta:

"Diante dos problemas urgentes, eu e o vice estamos renunciando. E de acordo com a Constituição, haverá eleição dentro de 90 dias”. Se o vice recusar, continuará "decorativo", na sua própria definição. E a presidente provavelmente ganhará um cacife para ficar provavelmente até 2018. Grande modificação para ela, e nova esperança para o país.

Amanhã um milhão nas ruas contra Dilma, no próximo domingo, outro milhão a favor dela

Satisfação geral com a divisão dos comícios. Os dois lados pretendiam participação simultânea, loucura completa. Prevaleceu a prioridade. Um domingo para cada protesto. Com o maior entusiasmo e empolgação, sem hostilidade.

Coloquei 1 milhão, eles estão citando esse total, não pretendo desmenti-los. Na Internet e pelas redes sociais, convocaram mais de 2 milhões. Pena que as ruas do Rio, ignorem esses movimentos democráticos.

Apavorada, Dilma renunciou nos bastidores, se entregou ao ex-presidente

Desde sexta feira, com a condução "coercitiva", Luiz Inácio Lula da Silva, que, estava no mais completo ostracismo, ganhou o espaço, se projetou como se fosse um astronauta mesmo sem aeronave. Hoje, completando uma semana desse episodio, qualquer pessoa que leia jornal, ouça radio ou veja televisão, entra na mais completa intimidade desse personagem. Ele esta no centro dos acontecimentos , discursa nos mais variados lugares. Janta no Alvorada, (segunda passada, quase de madrugada).

No dia seguinte bem cedo, já estava no palacete residencial de Renan Calheiros, abraçado por dezenas de peemedebistas, que na véspera atravessavam a rua para não cumprimentá-lo. Mas isso ainda é pouco. Na segunda mesmo, quase num sussurro, Dilma disse para ele: "Seria bom que você fosse Ministro do meu governo".

Parecia uma brincadeira, na terça surgiram tímidos boatos, na quarta já era um fato quase consumado mas demasiadamente comentado.

Com a palavra dos dois personagens principais, mas com varias versões, que vinham das mais variadas fontes. Alguns atribuíam a idéia ao próprio Lula, pois na verdade seria o grande beneficiário. Lula passaria a ter foro privilegiado, só poderia ser julgado pelo Supremo. (Os advogados dele entraram no mesmo Supremo, para que ele só pudesse ser julgado em São Paulo. Rosa Weber vetou a pretensão).

Equivoco e desacerto dos advogados e do próprio ex-presidente. Ontem, quinta, ás 5 da tarde Procuradores de SP denunciaram Lula por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Agora falta a Justiça estadual aceitar a denuncia para ele se transformar em réu. Os Procuradores ressalvaram, o que deu uma enorme alegria a Lula:" Este processo não tem nada a ver com a Lava-Jato", Pelo menos isso.

A polemica sobre o ministério continua, na imprensa, nos partidos, nas ruas. Metade do PT não quer Lula Ministro, acreditam que favorece Dilma. A outra parte pressiona, insiste, luta para ver Lula num ministério, de preferência o da Justiça. O senador quase "ficha suja " do Pará, retumba:" Isso alem de burrice, é doidice".Ele tem autoridade e reputação, para emitir sua opinião. Só que muita gente do PMDB não esconde: "Adoraria ser recebida por Lula num ministério".

Já disse aqui: "Lula quer ser ministro mas acredita que haverá eleição antes de 2018, não quer ficar impossibilitado de se candidatar". Depôs da condução "coercitiva" veio a "delação" do senador Delcídio, com acusações impressionantes contra Lula e Dilma. (Essa  "delação"iria ser homologada pelo Supremo na quarta. Não foi.Ficou para ontem, quinta,não deram uma palavra).Encerrando por hoje essa questão ministerial do ex-presidente, a palavra expressiva mas não conclusiva do Ministro das Comunicações:"Quem ADMITE ou DEMITE ministros é a presidentA".

A convenção do PSDB

È o fato mais importante do fim de semana. O partido é o maior da chamada "base" de apoio do governo. Essa convenção vem sendo muito debatida, e a representação de alguns estados, prega o rompimento e a entrega dos cargos. O vice Michel Temer declarou: "Não acredito em rompimento. No máximo, declaração de independência ou distanciamento".

Dona Dilma vai aos EUA em abril. Quatro dias o governo nas mãos de Temer. È um risco tremendo. Ele se diz constitucionalista, pode declarar vago cargo da presidente viajante. Terá o apoio do PSDB, DEM, PSB, PSP, uma parte do PMDB e até do PT.

Pedida em São Paulo a prisão preventiva de Lula

Ali em cima falei da denuncia contra Lula e dona Marisa. Uma hora depois, anunciaram o pedido de prisão, e afirmaram: "Temos provas irrefutáveis da sua culpabilidade. O ex-presidente pode pegar até 13 anos de prisão". Quem decidirá: a juíza Federal de São Paulo. È lógico, caberá recurso no caso da juíza atender ao pedido dos promotores.

Nelson Barbosa: sem reformas, virão medidas drásticas que não servirão para ninguém

O tom era de ameaça, não de lamento ou explicação. Como o ministro tem uma fisionomia imperturbável, impenetrável, indecifrável, será necessária explicação. Como ele não diz nada, fiquemos com o comentário da analista, pesquisadora e economista, super competente: "O Brasil precisa de 5 anos para voltar aos níveis de 2006".

PS- O pedido de prisão preventiva para Lula, é tão estrepitoso, ruidoso, criminoso, que até os partidos que combatem Dilma e o ex-presidente, protestaram. Não a favor, mas pelo ritmo que as coisas podem assumir. Se acontecer mesmo a prisão, a volúpia da incerteza, tomará conta do Brasil. Felizmente não haverá prisão.