28.3.16

POETAS E POESIAS DE ONTEM E HOJE

MARCELO MÁRIO MELO e CELLY ADELINA -


REALISMO AZEDO
(Marcelo Mario Melo)

O palco do sonho
a dança da vida
a nuvem cinzenta
o fel e a ferida.

A sombra da sorte
o túnel da espera
o cio da morte
o giro da esfera.

O sonho alvejado
em hemorragia
salpica de sangue
as flores do dia.

As flores tingidas
forcando alegria
com sal no sorriso
nos dizem: "bom dia!"

***
ESPERANÇA
(Celly Adelina)

Há luz,
Sol que persiste na terra.
Esperança,
que insiste a  despeito das guerras:
Quente e sangrenta desorienta.
E a fria, que a gente vê por aqui.
Oriente, mostre mais do que é feito o homem:
Das piores cruezas alguns;
Da divina essência, outros.
Mas,
É preciso chegar o tempo da colheita
A discernir, o trigo.
Outros  creem na força que os convoca,
Alguns, que por ódio as entornam,
Batutas maestram o escárnio em vasilhas cheias,
Repetidas mentiras, que se querem verdadeiras.
Eia,  noutras mãos feridas,
O Amor
que vencerá o ódio.

***
TEMPO DE ADVERTÊNCIA

(Marcelo Mário Melo)

O sonho está encurralado

vestindo roupa emprestada
adornado de falso brilhante
aliança de latão
enferrujando o dedo
amolecendo a fala
encurtando o gesto.


O cinza é espesso
e cada um caminha
em trilha solitária
ou bando
enquanto os dragões 
vomitam fogo.

Será para muito depois
a hora de florir 
e de colher.

Agora é tempo só 
de advertir 
e sem saber
a quantos tocará
a flauta dos clamores soterrados.

Nada a fazer
senão filtrar a luz
puxar o fio
erguer a voz
seguir a estrela.

Nada a fazer senão continuar.