15.4.16

A NAÇÃO VOLTOU-LHE AS COSTAS

CARLOS CHAGAS -


Raras vezes a presidente Dima encenou tamanho festival de entrevistas e declarações como esta semana. Fala o que pretende, na hora em que bem entende, pelo tempo a que se dispõe. Também, pelo jeito, chegou ao limite. Domingo parece o seu limite maior. Depois, salvo surpresas, passará a carta fora do baralho. Mesmo ficando algum tempo como inquilina da presidência da República, não será mais presidente. Em seu lugar estará o vice Michel Temer, interinamente até 180 dias, para depois assumir em definitivo. Até quando não se sabe, pois o vento que sopra para lá também sopra para cá.
Dilma parece haver perdido as esperanças. Ficou diferente tarde demais. Manteve a mesma postura por quatro anos e quatro meses: irascível, intolerante, superior. Desprezou quantos a respeitavam, só mais apenas os que a bajulavam.
É conhecido o episodio tantas vezes repetido de que Madame tratava os auxiliares como serviçais e subalternos. No avião presidencial, ia até a cabine do piloto para dar aulas de navegação e mostrar como furar uma nuvem carregada, não aceitando outras opiniões. Médicos e enfermeiras tremiam diante de seus ditames, muitos tendo pedido para sair em situações as mais constrangedoras. Nas viagens pelo exterior, exigia submissão total, não só de sua comitiva, mas de quantos funcionários estrangeiros postos à sua disposição. Queria distância de quase todos.
Tendo sido a primeira mulher presidir o Brasil, optou por manter auxiliares não só à distância, mas enquadrados. Mesmo quando chefiava a Casa Civil, até para com ministros, suas ordens eram ríspidas e grosseiras. Depois de levada ao trono, pior ainda.
Foi perdendo o respeito, claro que quando estava distante. Contam-se nos dedos de uma só mão as amigas e os amigos. Existem, é claro, mas olhados de viés e sem a certeza de estar agradando. Ainda mais por conta dessabarafunda em que o ministério foi-se tornando. Ministros existem, ainda hoje, que apenas despacharam uma vez com a presidente. Outros que a viram no dia da posse e nada mais. Entre eles e a chefona, só em datas solenes, mesmo assim, lá de longe.
Esse governo foi despertando senão rancores, ao menos distancia. No Congresso, com raras exceções, deixou de prevalecer a próximidade entre a presidente e suas bases. As ruas ficaram cada vez longe. Claro que a performance de Madame pesa essencialmente na balança. Os reclamos da sociedade atingem suas diversas camadas, mas a presidente continua longe, como não se tratasse de seus problemas. Assim, quando precisou do apoio geral, ele não veio. Os cinco milhões e meio de votos conquistados em outubro passado evaporaram.
O resultado pode ser colhido nesses dias cruciais. A nação voltou-lhe as costas. Tanto por conta do lamentável desempenho de seu governo quanto da falta de alternativas por ela deixada. Resta saber o que virá daqui por diante. Poderá Michel Temer virar o jogo? Recuperar a confiabilidade e a confiança não será papel fácil. Afinal, até poucos meses atrás, o vice jurava de pés juntos seguir o roteiro da presidente. Quais seus planos e projetos?