5.4.16

A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA ESCOLAR

GERALDO PEREIRA -


São constantes nos dias de hoje, as agressões sofridas por professoras nas salas de aulas, nos seus locais de trabalho. Confesso que a pouco mais de duas décadas é que realmente pude constatar como a coisa ficou feia nesse sentido. Erraram as autoridades na condução da educação dos nossos jovens? Erraram os pais na condução da educação domestica dos seus filhos? Não sei!

Sei que cruzaram os braços. Tanto as autoridades como os pais de família. Por covardia ou ignorância, ambos não quiseram enfrentar o mal maior. É completa a ausência de responsabilidade social da mídia, invadindo os nossos lares, com as suas programações, onde a prostituição, a violência, a droga e tudo que não presta são constantes, inclusive com diálogos tão violentos, e, tão desrespeitosos entre pais e filhos nas suas novelas, diálogos que eles levam também para as salas de aulas, e os mantém com seus professores.

A televisão molda o comportamento das pessoas de quase todas as faixas etárias, fazendo-as de acordo com os programas que veem, e como esses são de péssima qualidade, o comportamento dessas pessoas, por mais que elas e esforcem, será sempre sofrível.

Esses comentários demonstram a minha completa e profunda revolta contra as agressões que já são praticamente comuns nas escolas públicas de todo país.

As fotos publicadas na imprensa, recentemente, de uma jovem e simpática professora que foi esbofeteada por um seu aluno, é um retrato triste de uma época triste, e mais triste ainda, é não vislumbrarmos uma solução para essa violência. Enquanto o governo não tomar coragem para fazer cumprir a Constituição e fazer a mídia, particularmente, as emissoras de televisão ter responsabilidade social para com a Nação, esse quadro perdurara desgraçadamente.

Lembro-me da professora Eudoxia, sobre ela já me referi aqui nessa Tribuna. Minha tia Raminha leva-me a sua presença: ”Professora Eudoxia, este é o Geraldo, meu sobrinho, a mãe dele mora no Recife, já falei com o padre Pita, ele vai estudar com você. Puxe por ele, você será a sua segunda mãe.” Essa era a senha que a autorizava a usar a palmatória, sempre que se fizesse necessário. Graças a Deus, a abençoada e terrível palmatória nunca foi usada na nossa escola.

Ela fazia-nos estudar a tabuada e geografia pra valer.

A professora Eudoxia, era severa, mas suave. Cara de poucos amigos, esforçava-se para se manter com aquele semblante um tanto ameaçador. Era baixinha e simpática.

Recentemente, abordando esse tema, numa palestra-debate, uma jovem colega de profissão, me aparteava afirmando: “quem não gosta de novela, desliga e vai para outro canal. A televisão nunca me moldou”. Fiz que não entendi.

Volto a minha jovem aparteante. Umas 40 pessoas estavam no auditório. Pedi as pessoas do sexo feminino que se levantassem, eram 16. Caminhei um pouco pelo auditório e constatei que 14 delas estavam de calça comprida, e calçavam tênis. Tomei fôlego, e disse: “Aí está à força da mídia”. Não me permiti perguntar quantas bebiam cerveja. Ai moldaria-se para valer os costumes, quando sabemos que 52% da venda de cerveja, em todo território nacional é consumida pelo sexo feminino, principalmente pelas nossas universitárias.

Se fossemos um povo, com um nível regular de educação, se a maquina capitalista não tivesse 24 horas por dia num trabalho exaustivo despistando a visão do trabalhador, dos pais de famílias, e se este pai de família tivesse pela educação de seus filhos o mesmo interesse que ele tem pelo futebol nacional, e, hoje principalmente pelo futebol espanhol, certamente ele estaria conscientizado para exigir dos governantes o respeito a Constituiçãono artigo 221, determina que emissoras de TV deem “preferência a finalidades educativas, culturais e informativas” - que exige das emissoras de televisão uma programação de qualidade voltada para a formação educacional e intelectual dos cidadãos brasileiros.

É pobre e tristemente lamentável, hoje, o estado da educação no país.