17.4.16

ATÉ AGORA, MUITO FALATÓRIO, NENHUMA DECISÃO. AS MORDOMIAS, OS PALÁCIOS PARA TODOS, INFLUENCIAM O IMPEACHMENT

HELIO FERNANDES - atualizado às 18h55 -


Às duas da tarde, como previsto, Eduardo Cunha dava a palavra ao apaniguado Jovair Arantes, escolhido por ele, relator da Comissão Especial. Depois de 22 anos de mandato, assumia posição de relevância. Na Comissão, não tinha nem tem capacidade para redigir esse relatório, mas leu-o durante 4 horas.

Dentista de profissão foi escalado pela subserviência. Ontem, reduziu às 4 horas a 30 minutos. Como também era previsto, Cunha negou autorização para o Advogado Geral  da União falar depois, já que sempre cabe á defesa falar por ultimo."Justificativa"de Cunha, com todas as aspas e paetês: "Jovair Arantes fala como julgador e não como relator, não pode  ser contraditado.

Depois vão discursando os lideres dos 25 partidos. Repetem o que disseram na Comissão e na primeira fase do julgamento que deve terminar hoje.

Dos dois lados, todos medíocres, mentirosos e mistificadores, repetem o lugar comum que usaram na Comissão, na primeira fase deste julgamento e agora na ultima oportunidade. Sem imaginação, talento ou criatividade, têm a mesma fórmula, batida e cansada. Os que defendem o governo, afirmam: "Querem impedir que usemos o poder que conquistamos nas urnas, com 54 milhões de votos. Só queremos servir o povo do Brasil".

Farsantes. Energúmenos. Sem palavra,esquecem que o país chegou a esta situação catastrófica, precisamente porque não usaram o poder, pregaram o imobilismo.

Os que se dizem da oposição, atormentam a todos com o chavão coletivo, despudorado, irritante debochado, totalmente inverídico: "Estamos aqui para uma ultima oportunidade de salvar o país. Queremos construir o Brasil do futuro, para nossos filhos e netos". Inacreditável. Há essa hora, 4 e 15, o Instituto verificador de audiência instantânea, me informa: "O numero de aparelhos de televisão ligados é dos maiores de todos os tempos, no Brasil inteiro. Na TV aberta ou por assinatura.

Proporcionalmente, ultrapassa as grandes novelas da Globo, o numero de aparelhos e de assinaturas, cresceu muito". Em casa, milhões, em pleno sofrimento, estarrecimento, constrangimento. E até arrependimento, 104 milhões votaram em Dilma e no "jovem presidenciável Aécio Neves". E agora essa farsa que não tem fim, qualquer que seja o resultado de hoje. Apenas um episódio, continua.
                

Às 17,15, 488 deputados no plenário. Cunha anunciou nova chamada para intimidar os "ausentes"

AS MORDOMIAS, OS PALÁCIOS PARA TODOS, INFLUENCIAM O IMPEACHMENT

(...) No sábado, fiz meus últimos contatos ás 11 da noite. Estavam mentindo muito. Falei com um deputado a favor do impeachment, mas cauteloso. “Vamos ganhar, temos entre 346 e 357 votos".

Com o televisamento diário, fiquei conhecendo e impressionado com o Jaburu, residência oficial do vice Presidente da Republica. Não é uma residência, é um palácio, jardins maravilhosos, como a Casa Branca, a parte administrativa e a residencial, inteiramente separadas. A de trabalho tem 134 salas. (Quando viajei com Juscelino, como presidente eleito e ainda não empossado, visitamos toda a Casa Branca. Ficamos na Blair House, em frente, na Avenida Roosevelt, era só para convidados.

Em Brasília Ministros sem a menor importância, com casas suntuosas. Até o da Previdência Social. Em bairro nobre vai da entrada, atravessando salões e chegando ao Paranoá. E mais Casa Civil, muitos outros, alem do Presidente da Câmara, do Senado.

No Rio capital, só o presidente da Republica. Trabalhava no Catete, morava no Guanabara. Em 1940 o ditador sofreu grave atentado na Rio Petrópolis, morreu seu Ajudante de Ordens. (Até os biógrafos escondem o fato, tratam como "acidente") Com ligeira dificuldade de andar, abandonou o Guanabara, passou a morar no Catete, bastante confortável. Para acabar a citação desse luxo despudorado, façamos a comparação de como vivia o vice Café Filho e Michel Temer no fantástico Jaburu.

Eleito deputado federal, Café Filho comprou um apartamento na Avenida Copacabana, quase esquina de Joaquim Nabuco. Antigo, sem portaria, você entrava por um restaurante popular e um cabeleireiro. Em 1950, feito vice de Vargas, continuou morando ali. Depois de 1 ano e três meses de presidente, afastado pelo Supremo em dezembro de 1955, voltou a morar lá. Isso é muito importante, Brasília não tem povo.

Voltemos para o dia-a-dia deste domingo, haja o que houver. Tudo comandado por Eduardo Cunha. No sábado só foi para a casa oficial ás 9 da noite, depois de estabelecer que os oradores precisavam reduzir o tempo na tribuna. Foi atendido, lógico. A sessão, prevista para acabar entre 11 da manhã e meio dia, terminou ás 6, com o sol aparecendo. 

No sábado, fiz meus últimos contatos ás 11 da noite. Estavam mentindo muito. Falei com um deputado a favor do impeachment, mas cauteloso. “Vamos ganhar, temos entre 346 e 357 votos".

Com a possibilidade bem visível da aprovação pela Câmara, ouvi dois senadores. Participantes, votarão pelo impeachment, mas não são golpistas. Textual: "O senado tem os 41 votos para começar a avaliação. Não sei se tem os 54 para tirar a presidência de Dilma e entregar ao vice". Falou o outro senador: "Vivi e votei o impeachment de Collor, nada a ver. Collor foi afastado por causa da imprudência e da terrível entrevista-denúncia do irmão. 

Agora é diferente, não gostaria de votar este, por uma razão. O que acontecer depois dos 54 votos, será um caos maior do que agora". Parou, como falava em sigilo, disse com toda a liberdade: "Votarei no impeachment, não por convicção e sim por circunstancias.

Não tenho a menor confiança no Temer, no seu governo, no que gosta de chamar de notáveis, nada disso é importante. Seu primeiro grande problema o que fazer com Eduardo Cunha. Se for mantido no cargo, Temer não poderá andar na rua. Como contribuir para cassá-lo, se o grande aglutinador de votos pró-impeachment foi ele.

Por enquanto tudo é expectativa. Principalmente sobre as manifestações. Brasília, que na mais concorrida teve 100 mil pessoas, hoje deverá reunir 300 mil. Rio e São Paulo também devem bater recordes. Sem falar nos outros estados. Mas nada disso terá importância na votação. Poderá influir no "depois", mas não no "hoje".

PS- A ultima sessão começará exatamente ás 2 da tarde. A votação será iniciada ás 5. Se comparecerem todos os 513, e como o calculo é de 30 segundo para cada um mais ou menos 180 minutos, 3 horas. Normalmente a partir de 8 da noite, poderá ser conhecido o resultado. Temer e Dilma, dizem, que vitoriosos, só falarão amanhã. Como confiar neles?

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