16.4.16

COMO SERÁ A VOTAÇÃO, CUNHA COMPLICA EM VEZ DE FACILITAR

HELIO FERNANDES -


Ha mais ou menos meia hora, o presidente da Câmara mudou toda a forma de votação, que ele mesmo estabelecera. Antes: o deputado ficava sentado, era perguntado, "como vota", respondia SIM ou NÃO. Simples, 10 segundos. Admitamos que leve 15 segundos e que estejam presentes os 513, o que até agora não aconteceu. Pelo calculo numérico, 1 hora e 50 ou 2 horas. Mudou tudo.

Ficou assim. O presidente disse, "vou pedir a todos os deputados para ficarem sentados, esperando a chamada." Começa a complicação, sem controle. O deputado ouve o seu nome, levanta, vai até um microfone no meio do plenário e diz como vota. Se disser apenas o SIM ou NÃO, mais ou menos 30 segundos, 3 vezes o que utilizaria na maneira anterior.

Mas dificilmente o deputado deixará de "florear". Como estão fazendo todos, contra ou a favor do impeachment. "Voto com o coração", pelos "meus filhos e netos", seguem nesse roteiro.

Voto de quantidade e não de qualidade

È até compreensível, que numa decisão que representa tanto, o indispensável seja atingir o numero para não ser derrotado. Mesmo porque, se fossem examinar a substancia ou a integridade de quem está votando, seu passado ou presente, não haveria quorum. O melhor exemplo, (existem muitos, dos dois lados) o PP e um dos seus representantes, Paulo Maluf.

O PP é o campeão de deputados indiciados pela Lava-Jato. E Maluf é Maluf, eternamente. Pois ele, que até quarta feira, afirmava que votaria contra o impeachment. De terça até hoje, já esteve duas vezes com Michel Temer, afirmando: "Jamais votaria contra você, impedindo sua posse justa como presidente".

Incoerência e inconsistência

Mas a mudança de posição mais inesperada, foi a do deputado Waldir Maranhão. Vice presidente da Câmara, tido e havido como um dos maiores amigos de Eduardo Cunha, parecia mesmo. Todas as manobras do corrupto para escapar do Conselho de Ética, foram feitas através dele. Pois ontem, aberta e publicamente, declarou: "Votarei contra o impeachment, e levarei comigo 12 deputados".  Jornalistas interrogaram o presidente da Câmara, que respondeu: "Nada a explicar, todos podem ter suas convicções".

Os maiores articuladores

No momento faltam 10 minutos para as 8, no plenário os discursos sem brilho se sucedem. Agora, só conversas de bastidores. Até o fim da noite, e inteiramente pessoais, existe um pavor generalizado de telefone. Pelo governo, Jaques Wagner e Berzoini. À noite chegaram os irmãos Gomes, Ciro e Cid, atuam em áreas pessoais. A favor do impeachment, Temer, é claro. Fora dele o mais importante e convincente, é o ex-governador e ex-Ministro de Dilma, Moreira Franco. Lula trabalha no hotel pegado ao Alvorada, mas não na maneira eficiente como se esperava.

PS - Ontem a imobiliária Patrimóvel, fez anuncio de pagina inteira, apenas uma frase, elucidativa, tudo a ver com o impeachment. Cauteloso, dizia o seguinte:
"Lógico, PATRIMOVEL, mas não PATRIAIMOVEL". Inteligência é sempre um prazer.

PS2-Todos querem saber a razão dos canais de noticias da televisão, ficarem horas e horas transmitindo o que acontece na Câmara. Perguntam porque Globonews, Record, Band News, sacrificam a programação normal. Não sacrificam nada, ganham em audiência. Como só tomam decisões com pesquisas, caminharam para o lado onde estava e está o publico.Centenas e centenas de milhares de pessoas no Brasil todo, ligam a televisão pela manhã  e só desligam, perdão, mudam de canal, para ver a novela. Isso na televisão aberta ou por assinatura.

PS3-A grande incógnita ou indecisão. Hoje pela manhã revelei com exclusividade, que a maior presença até agora, foi de 489 deputados. Romero Jucá e seu grupo, trabalham isso com intimidação. Eduardo Cunha, não esconde: "Se eu chamar um deputado, e ele não responder, gritarei três vezes o nome e a palavra AUSENTE".

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