16.4.16

O BRASIL DO POVO

EUSÉBIO PINTO NETO -


O povo brasileiro está ameaçado de perder suas conquistas, caso o impeachment, da presidente Dilma Rousseff seja aprovado domingo (17), na Câmara dos Deputados. Reconheço que Dilma fez um péssimo  segundo mandado, mas se posiciona contra o processo de impeachment. O processo de  impeachment tem que ter um embasamento legal e não pode ser movido por hipocrisia, já que provoca um grande trauma à sociedade. Causa também prejuízos e gera uma expectativa muito grande ao país. O Brasil parou para discutir o  impeachment.

A presidente Dilma Rousseff tem pouca habilidade política, mas a maior parte da crise vivida de hoje é culpa dos adversários. O Congresso Nacional tem levado as discussões para o lado pessoal e esquece da sociedade. Projetos importantes para a economia do país deixaram de ser aprovados, enquanto se debate o governo Dilma. O trabalhador é o mais afetado por toda essa crise.

A atual situação do Brasil não é tão grave, já que sobrevivemos a crises piores na econômica. Hoje há interesses corporativos e de grupos econômicos que querem manter a força o poder. A imprensa precisa assumir o seu compromisso de liberdade e informação e não de manipulação. O povo precisa tomar muito cuidado com as informações porque o que se divulga hoje não é a realidade do país. Há muita hipocrisia em todo o processo de impeachment, se a presidente Dilma for cassada pelas “pedaladas”, então todos os governadores e prefeitos do país também terão que ter os mandatos anulados pela prática do mesmo ato.

Um governo ruim passa logo, mas se a democracia sofrer abalo, a liberdade fica ameaçada. O certo, neste momento, seria fazer um pacto nacional e aguardar a eleição para que o voto do povo seja respeitado. Com ou sem impeachment, o país vai continuar dividido com problemas graves que poderão piorar. Essa intransigência dos políticos levou o país ao caos.

Um futuro governo, chefiado pelo vice-presidente Michel Temer, vai dividir ainda mais a nação. Os partidos de oposição, o movimento sindical e os grupos sociais não vão participar de um pacto que atende aos interesses das multinacionais e grupos econômicos que querem sacrificar as conquistas sociais no Brasil, principalmente os trabalhadores.

Entre as propostas apresentadas por esse grupo estão: modificar a lei de valorização do salário mínimo, alterações na estrutura sindical e reforma trabalhista. Mas essas medidas têm um único propósito beneficiar as oligarquias. Um futuro governo será de grande turbulência social. Temos hoje uma divisão na sociedade e a partir desse impeachment esse racha vai ficar mais claro. Caso esse processo tenha andamento no Congresso, nós vamos ter no país duas classes sociais: a elite defendendo e manipulando uma parte da sociedade e o movimento social lutando por liberdade e direitos.

Esse desmando é consequência do Congresso Nacional, que elegeu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que não tem condição moral para liderar a casa do povo. Temos que atentar também para o número de congressistas envolvidos em esquema de corrupção sem condições de votar pela ética e de permanecer como representante do povo. A proposta seria uma reforma política geral- com uma nova assembleia geral constituinte.

Encontramos hoje problemas em todas as jurisdições do país, inclusive no judiciário. Temos um judiciário partidarizado, com ministro defendendo interesses de apadrinhados e usando o poder de julgar para manipular a sociedade. Tudo isso contribuiu para a crise que vivemos hoje. As instituições têm que investigar, cassar, punir, mas sem espetáculo. É preciso uma reforma profunda nas instituições, para que elas possam ser livres de comprometimentos e verdadeiramente representar a sociedade. Sou contra o impeachment e acho que é um golpe na democracia brasileira e trará grandes prejuízos para nação.

*Eusébio Pinto Neto, presidente do SINPOSPETRO-RJ.