31.5.16

DILMA ESTARIA INDO PARA O PDT?

ROBERTO MONTEIRO PINHO -

É praticamente unanimidade que a presidente Dilma Rousseff destruiu o Partido dos Trabalhadores (PT). Em linhas gerais, a escolha de Lula alem de transcender a vontade da base petista, encontrou resistência até mesmo no remanescente, desfalcado e desfigurado, o denominado “núcleo duro” do partido.

Se for pouco, hoje, está piscando o alerta para Lula e demais interessados, de que Dilma estará negociando com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) para retornar as suas fileiras. O que alias de onde não devia ter saído, de tão diminuta sua importância, estaria no partido certo.

O sinal latente está no fato de que o partido entrou com uma ação para impedir que o presidente interino Michel Temer não tenha poderes para demitir ou nomear ministros e presidentes de estatais, bem como de recompor o staff do palácio da Alvorada.

A pergunta capital é: Quem engenhou essa medida? Afinal, não pode ter saído do nada, tamanha e bombástica proposta que está tumultuando o processo do impeachment e deixando a direita que afastou Dilma da presidência, em polvorosa.

Uma segunda pergunta é: Porque isso não ocorreu logo após o veredicto do senado?

E mais: Porque o tão alardeado e tido como honroso, o STF não se pronunciou a partir de sua mesa diretora? A terceira pergunta, é saber se esta medida, só veio após as negociações de cargos, e o PDT não teria sido atendido da forma que foi combinada?

Para o partido as nomeações seriam lesivas a preceitos fundamentais da Constituição Federal, porque as funções do presidente da República como chefe de Estado e de governo estão representadas no artigo 84 da Constituição Federal, enquanto que o artigo 79 estabelece que o vice o substituirá em caso de impedimento e o sucederá em caso de vacância.

Eu particularmente nunca tratei o assunto como um golpe propriamente, mas como um plano, engendrado logo após a vitória do segundo turno, conforme o jornalista e amigo, o decano Helio Fernandes escreve no seu livro: “a TRAMA DO IMPEACHMENT”.

Pior que um golpe, um projeto as avessas do ingenuamente anunciado aos quatro cantos o “projeto de poder do PT”.  Em razão do pronunciamento da Ordem dos Advogados do Brasil favorável ao impeachment, e da seccional do Rio de Janeiro se pronunciando contra o açodamento do mandato presidencial. A nossa Associação Nacional e Internacional de Imprensa - ANI, assim se manifestou:

(...) Neste momento angustiante para milhões de brasileiros muitos desempregados, de praticas delituosas praticadas nos mais altos escalões da República, conclamamos pela urgente solução que possa restabelecer a estabilidade política e a harmonia nas relações Estado - Judiciário e Sociedade. O jornalismo independente e idealista compromissado com a verdade quer a estabilidade democrática e a liberdade de expressão, e se posicionam para livre dizer:

(...) 3 - Sem adentrar no mérito de culpa, requeremos para que todos os acusados e suspeitos tenham o tratamento garantido na Carta Magna, e a eles assegurado o contraditório, a defesa e o direito de ir e vir chancela ímpar do nosso magno direito Constitucional.

Embora seja traçado um posicionamento que tem como imperativo o tratamento dentro da ordem legal, balizada na Carta Magna, a via política, traz de forma objetiva, de que se trata de um golpe de Estado.

Os grandes jornais do mundo falam no golpe: O The Wall Street Journal (EUA); Financial Times (Reino Unido); The Washington Post (EUA); La Nación (Argentina); Reuters (Reino Unido); Le Parisien (França); Irish Times (Irlanda); Le Monde (França); El País (Espanha); Pravda (Rússia); CNN (EUA); SIC NOTÍCIAS (Portugal); FOX (EUA).

Um artigo do articulista Francisco Louçã (a esquerda em Portugal) para falar do Brasil lembra de uma frase de Saint Just em plena Revolução Francesa: “desgraçados dos revolucionários que fazem a revolução a metade, cavam a sua própria sepultura.” E completa dizendo que “o Brasil faz sua democracia pela metade e cava sua própria sepultura!”

Encerro aqui, com aquela frase já divulgada em outras publica; “no credo en las brujas, pero que hay, hay!”.