13.5.16

ESPERANÇA

MIRANDA SÁ -

“Áureo-verde pendão da minha terra/ que a brisa beija e balança/ Estandarte que a luz do sol encerra/ E as promessas divinas da esperança” (Castro Alves)


Dicionarizada, a palavra esperança (subs. fem.) é antônima da palavra medo (subs. masc.). A Esperança é uma das três virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) que a Bíblia exalta ensinando que a “Esperança não decepciona” (Romanos 5,3-5a).

O marqueteiro Duda Mendonça, tão genial quanto ambicioso, criou um slogan em 2003 botando na boca de Lula que “A Esperança venceu o medo”, entusiasmando a militância do Partido dos Trabalhadores, que acreditava numa mudança real nos destinos do Brasil.

Ledo engano. Assumindo o poder, Lula se corrompeu, arrastando consigo a hierarquia petista e distorcendo a ideologia que atraia os seus partidários. Os honestos consigo mesmo e com seu ideal se decepcionaram e se afastaram; e, passados 13 anos, 4 meses e 11 dias, assiste-se ao início do fim da Era Petista no julgamento do impeachment.

O estado mental dos parlamentares se libertou do medo e descortina a Esperança com o apoio de milhões de brasileiros que iluminaram a Esperança nas ruas dos País, derrotando a fobia social que o PT impunha através de uma propaganda massiva e maciça.

Lembro dos primeiros comunistas que se libertaram do Terror que o stalinismo infundia nos militantes, ameaçando-os do opróbio da traição. Foi com a divulgação do Relatório Kruschev, mostrando os crimes cometidos por Stálin, perseguições, prisões, torturas e campos de concentração, que se realizou a libertação dos mais inteligentes e bem-informados.

Em termos ocidentais, foi icônico o livro de Howard Fast “O Deus Nu”, que despertou na intelectualidade de esquerda (esquerda de verdade e não o populismo canhoto do lulo-petismo) para os males da ilusória ditadura do proletariado, do partido único, dos atos sigilosos de governo, da polícia política e, principalmente, do Estado-empresário monopolista que engessa e atrasa a economia.

Não é fácil libertar-se individualmente do medo, e muito pior é enfrentar a fobia social ou sociofobia. Ainda no século 19, Freud já discorria em suas aulas e palestras – e escrevia – sobre a fobia como uma entidade clínica. Modernamente, estuda-se, divulga-se e se diagnostica o TAS – Transtorno Ansioso Social nas tensões nervosas coletivas e manifestações grupistas de alarme.

Os aprendizes de ditador e os partidos totalitários aproveitam-se dos movimentos obsessivos e das limitações corporativas defensivas. Estes apresentam sintomas de ansiedade criando o caldo de cultura que permite a implantação do regime fascista.

Foi assim que agiram os pelegos lulo-petistas. Aproveitaram-se de necessitados, doentes mentais e de uma presidente da República inapta ao cerimonial do cargo, incompetente na administração da coisa pública e leniente com a corrupção. Dessa maneira cavaram sua própria sepultura.

Do outro lado foi inevitável a reação popular a partir do acesso à informação pelas redes sociais, que pressionaram a mídia, influenciaram jornalistas e alicerçaram a Operação Lava Jato – o movimento das “mãos limpas” à brasileira.

Avolumou-se uma solidariedade de todos estamentos sociais com aplausos à ação da Polícia Federal, do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro. A resposta veio da Procuradoria Geral da República, avalizando o trabalho de faxina que atingiu governantes, empreiteiras e seus titulares, banqueiros e políticos.

O cenário entusiasta abriu os olhos dos órgãos controladores e o Tribunal de Contas da União apontou os crimes cometidos por Dilma contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e atropelando o Congresso com decretos autocráticos.

Com isto, chegamos ao impeachment que avança no Senado Federal, onde a Esperança reside enfrentando o fisiologismo político, o populismo irresponsável e a corrupção.

Os patriotas brasileiros continuamos, porém, ameaçados pelo medo de que a classe política considere o impeachment o ponto final da crise. Esta sensação exige que tenhamos Esperança de que Michel Temer cumpra realmente a promessa de mudança.