11.5.16

NEM CUNHA, NEM MARANHÃO, NEM ACORDÃO!

Por JEAN WYLLYS - Via Facebook -
Os partidos pró-impeachment, aproveitando a debilidade política do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), tomaram todo o poder aqui: reuniram a mesa diretora e seus líderes, convocaram a sessão sem informar a pauta ao resto de nós e estão tomando todas as decisões.
O mais provável é que Maranhão, diante do bombardeio tardio e oportunista da imprensa e da pressão deles, acabe renunciando e voltando para o baixo clero e a obscuridade. De fato, um acordão já começou a ser tecido: eles lhe ofereceram a saída da renúncia. Os argumentos, embora pertinentes, não tinham sido apresentados a Cunha, embora este merecesse muito mais ouvi-los: falam que Maranhão não está eticamente habilitado a presidir a Câmara. A mesa diretora, que sempre foi cúmplice dos desmandos, arbitrariedades e abusos praticados pelo réu Cunha, agora posa de moralista em relação a Maranhão.
Ontem, quando ele aceitou o recurso da AGU e anulou as sessões da votação do impeachment (por algumas das inúmeras irregularidades e violações à lei 1079/50 cometidas pelo réu Cunha), eu escrevi aqui que a decisão dele era correta "independentemente dos jogos de poder que possa haver por trás da decisão de Maranhão, um aliado, ou ex-aliado, de Eduardo Cunha, integrante de um partido de ultra direita, e que também responde a processos por corrupção e também está sendo investigado como parte da operação lava-jato".
Por que eu falei isso? Porque comigo não tem essa de "bandido bom é bandido nosso". Cunha e Maranhão fazem parte da mesma turma e têm mandatos do mesmo tipo, pautados pelos interesses e pela grana dos seus financiadores. Ambos são filiados a partidos envolvidos na corrupção e de ultradireita; são aliados das bancadas da Bíblia, do boi e da bala; são contrários às pautas de direitos humanos que eu defendo e estão sendo investigados pela justiça. O fato de eu ter concordado com a decisão de Maranhão ou com seu voto contra o impeachment não muda o fato de que estamos em lados diferentes na vida.
E o que aconteceu ontem? Depois de sofrer pressões e ameaças, Maranhão voltou atrás e revogou sua própria decisão, voltando ao colo de Cunha e compactuando com os golpistas. Foi vergonhoso e ridicularizou o parlamento brasileiro dentro e fora do país!
É fato que ele não tem condição de presidir a Câmara, não só pelo que fez ontem, mas por sua aliança com Cunha e ações anteriores. PORÉM, o afastamento dele não pode ser fruto do arbítrio dos deputados pro-impeachment e de mais um golpe. Se ele for afastado, que seja sob legalidade e de acordo com as regras do regimento. Nós nunca tivemos afinidade com Maranhão, mas é uma hipocrisia que a imprensa, que nunca tratou dos malfeitos dele enquanto servia ao golpe, só lembre deles agora, quando Maranhão, por alguns dias, ficou do lado da democracia, mesmo que não fosse pelos motivos certos. Dois pesos duas medidas!
Nós não participaremos de um acordão com a direita! A Câmara dos Deputados não pode continuar funcionando como um circo! Por isso, EXIGIMOS que o conselho de ética dê prosseguimento e conclua em tempo curto a cassação de Cunha e que, ANTES e de imediato, este seja destituído dos privilégios e assessoria concedidos ao presidente da Câmara, já que o STF o afastou, pois está claro que ele continua usando assessores e privilégios para continuar conspirando, intimidando deputados e obstruindo a justiça. E EXIGIMOS que, após o afastamento de Maranhão pelas vias regimentais ou após renúncia, seja convocada uma ELEIÇÃO PARA A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA, na qual teremos um candidato próprio!