23.5.16

O QUE EXISTE EM COMUM ENTRE EDUARDO CUNHA E FERNANDINHO BEIRA-MAR?

Por FÁTIMA LACERDA - Via APN -

Ambos continuaram e continuam no comando, mesmo depois de afastados. O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), foi um dos indicados pela eminência parda do governo Temer, o pemedebista Cunha.


Outro afilhado de Cunha, Carlos Henrique Sobral, será o chefe de gabinete do Secretário de Governo Geddel Vieira Lima. Ele foi assessor especial do ex-presidente da Câmara. Segundo Carta Capital, o jornalista Laerte Rímoli, cotado para assumir a presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), também foi assessor direto de  Cunha. Em 2014, Rímoli coordenou toda a área de comunicação na campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República.
Outra coisa em comum entre Cunha e Beira-Mar é a ficha criminal de aliados de um e comparsas de outro. Consta que o líder do governo André Moura – por exemplo – coleciona “acusações e processos por fraudes em contratações, compra de votos, formação de quadrilha e até homicídio” (Carta Capital).

Referências a facções criminosas. O ex-presidente da Câmara – o que se diz é que agora comanda o esquema do golpe de casa, por telefone – compartilhou com o PCC o mesmo advogado de defesa, o agora Ministro da Justiça, apadrinhado de Cunha, Alexandre de Moraes.

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é a maior organização criminosa do país, responsável por assassinatos, assaltos, tráfico de drogas, extorsão, rebeliões e atividades terroristas. Atua principalmente em São Paulo mas também está presente em 22 dos 27 estados da Federação. O grupo está presente em 90% dos presídios de São Paulo e teria um faturamento de cerca de 120 milhões de dólares por ano.

O ex-advogado do PCC, Alexandre de Moraes, era  Secretário de Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (SP) , onde se notabilizou pela extrema violência contra movimentos sociais e estudantis.

Ainda segundo Carta Capital, “Em 2014, Alexandre de Moraes conseguiu que Cunha fosse absolvido no STF em uma ação por uso de documento falso. Antes de assumir a pasta da Justiça, Moraes chegou a ser cotado para a Advocacia-Geral da União (AGU), após lobby comandado por Cunha”.

Já Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi acusado de continuar dando ordens ao Comando Vermelho (CV), mesmo de dentro da prisão, supostamente, de segurança máxima. Condenado a 320 anos de cadeia, pressupõe-se que continuará encarcerado até 2045.  O CV ainda é a principal facção criminosa do Rio de Janeiro e teria se aproximado do PCC nos últimos dois anos.

As acusações contra o atual líder do governo Temer, André Moura, têm sido fartamente divulgadas durante a semana, sobretudo na mídia eletrônica. São duras. Mas Temer precisa dos 225 votos seguros de Cunha na Câmara, reunidos no “Centrão”, daí porque deve se submeter às orientações do poderoso chefão.

São companhias incômodas. Sem falar nos novos ministros  investigados pela Lava Jato e com citação em outros processos criminais. Ou no suplente do atual Ministro da Saúde, que não poderá assumir sua vaga na Câmara, já que está encarcerado no Paraná, sob acusação de espancar a mulher. Mas não cabe entrar em detalhes nesses casos, pois não seriam da cota de Cunha, fugindo aos propósitos iniciais da matéria.

Fica registrado que as comparações entre Cunha e Beira-Mar são meramente metafóricas. Mas resta saber como um  governo que assume interinamente, em nome da moral, dos bons costumes, do combate à corrupção, das forças divinas conseguirá explicar à sociedade  tão comprometedoras parcerias.

*Fátima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias.