7.6.16

CRISE QUE CRISE? É SÓ UMA MAROLINHA CHAMADA IMPEACHMENT

ROBERTO MONTEIRO PINHO -


Existe de fato uma crise política no prematuro governo interino de Michel Temer, que teve que afastar dois ministros flagrados em grampos telefônicos tentando barrar a operação Lava-Jato.

Há pouco os senadores: Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT- RO) que votaram pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, admitiram a possibilidade de rever seus votos.

Em análise esses dois votos, caso se concretize e os demais votos se mantivessem, seria o suficiente para evitar a cassação definitiva da petista. O Senado abriu o processo de impeachment com o apoio de 55 senadores e, para confirmar essa decisão no julgamento de mérito, são necessários 54 votos.

Sem maiores detalhes, fala-se que Dilma estaria costurando sua volta para o PDT. Se isso se concretizar, e até diria a provável possibilidade de novas eleições. Ela estaria fora do PT, e Lula que errou escolhendo este “poste” a sua sucessão, seria o candidato.

Vale trazer aqui, que no dia 25 de agosto de 1961, após sete meses no poder, o presidente Jânio Quadros surpreendeu o país com a sua renúncia ao cargo. Sua renúncia foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional, e especula-se que talvez Jânio não esperasse que sua carta-renúncia assinada fosse realmente entregue ao Congresso.

Em seus argumentos, falou que a pressão de "forças terríveis" o obrigava a renunciar, mas ele não falou quais eram estas "forças" (e nunca revelou). Foi o início de uma crise que nos traz reflexos até hoje. Na oportunidade os ministros militares (golpistas) vetavam o nome do vice João Goulart.

Assim, o poder ficou provisoriamente com Ranieri Mazzili, (presidente da Câmara), enquanto acontecia a Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango.

Em razão disso, houve a adoção do regime parlamentarista, que teve como primeiro Primeiro Ministro Tancredo Neves. Este regime de governo, contudo, acabou após um plebiscito em 1963, quando também já haviam passado pelo cargo Brochado da Rocha e Hermes Lima.

Com o Regime Militar em 1964, tanto Jânio Quadros, quanto os ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek tiveram seus direitos políticos cassados. Depois veio o AI5, e mergulhamos nas trevas do regime de exceção, lideranças políticas, estudantes, sindicalistas, professores, perseguidos, assassinados, exilados e presos.

De 61 até hoje, (em agosto estará completando 55 anos), de uma página que o brasileiro não tem como apagar. E não podemos esquecer tamanha insanidade, este holocausto engendrado pelo capital internacional e de algozes, ávidos pelo poder a força.

Somente aqueles jovens com 15, 16 e mais anos de idade, presenciaram este capítulo violento do Brasil.

Lembro aqui este fase da vida política, para comparar a queda (impeachment) de Collor, e Dilma Rousseff. Evidente que são casos diferentes, mas menos cruel, porém há que se cuidar do seu desdobramento, principalmente o que vivenciamos neste momento.

Existe de fato várias situações que reputo serem as mais insanas e irresponsáveis. No segundo governo da presidente Dilma Rousseff, a flagrante falta de interlocução com os poderes, a traição dela a Lula da Silva, e a total falta de preparo da base petista em dar ao Lula, (já que com Dilma sempre foi impossível dialogar), o suporte necessário e sustentação a manutenção do mandato presidencial.

Agora o presidente interino Michel Temer, assume, e esta patinando na administração do país. Janio quando assumiu, inventou aquela insanidade da “rinha de galo”. Jango foi posar com guerrilheiros, Collor de Melo, um almofadinha, metido a “caçar marajás”, um logo de campanha, que nunca existiu na pratica.

FHC cruel governou 100% para os ricos. Patrocinou o paraíso dos especuladores e banqueiros. Lula da Silva olhou pelo social, mas deixou o caminho livre, e ganhou um mensalão que destruiu a TUDO E A TODOS DO PT, COM RESPINGOS NA SOCIEDADE BRASILEIRA.

Dilma Rousseff, desastrosa, descompromissada, ignorante ao extremo, confundiu o poder democrático do voto, com o poder democrático de ser presidente de todos. Revanchista, dona de um perfil que nem mesmo uma junta de psicanalistas poderá decifrar tamanhos os lampejos de altos e baixos que demonstrou.

Lula confinado em sua própria casa, não pelo erro de apoiar Dilma no segundo turno, mas pelo pós Dilma. Eis que o PT já perdeu 60% de sua base (90%) dos boquinhas.

Enfiam um interino, que se acha no direito de meter a mão em tudo, de uma só vez, Não tem prioridade, não tem liderança coisa alguma, apenas é produto da trama, que levou o afastamento da presidente.

Hoje temos no caminho, o propagado poluto, enigmático e suspeito STF e o TSE onde a relatora do processo contra a chapa Dilma-Temer, (pedaladas etc) sentou na ação, e por isso saiu da pauta do dia.

Mais que o juiz Sergio Moro, esses tribunais podem, e devem como dever nacionalista por fim a essa insana situação.

Diante de tantas agruras produzidas pelos seus colegiados, quem sabe arrefeçam sua leniência, com o afago de uma decisão que nos remeta a uma nova eleição?