29.6.16

POETAS E POESIAS DE ONTEM E HOJE

MARCELO MARIO DE MELO -


O AMOR DO LOBISOMEM 

E A COMADRE FULOZINHA
Eu conheci uma bruxa

que tarou num lobisomem
e sempre o assediava
nos dias que se consomem.

Mas ele tinha um romance

andava sempre na linha
um fiel apaixonado
por Comadre Fulozinha.

A bruxa não desistia

num amor doido demais
recorrendo a mil apelos
e feitiços abismais.

Estava sempre aprontando 

vibrante apresentação
na hora que o lobisom
vivia a transformação.

Bailava bem sedutora 

fazia striptease
sempre com um novo recurso
nunca havendo reprise.

Mas quando o Lobisomem

já estava transformado
corrria pra Fulozinha
por quem era apaixonado.

A bruxa via de longe

aquelo lobisomão
agarrado à pixotinha
na mais plena devoção.

Os animais da floresta

ficavam todos olhando
o poder de Fulozinha
com o Lobisomem transando.

Quem pilotava era ela

regendo todo o traçado
deixando Lubi nas nuvens
saciado e encantado.

Todos feitiços da bruxa

não produziam efeito
como se uma muralha
Fulozinha houvesse feito.

E um dia esse poder

chegou ao ponto mais alto
deixando a bruxa louca
no seu maior sobressalto.

Era o aniversário

da Fulô tão poderosa
e o Lobisomem pensava
numa prenda graciosa.

Um presente extraordinário

na dimensão do amor
que a ela dedicava
com o mais ardente fervor.

Pensou em roupas perfumes

peças as mais preciosas
bicicleta moto carro
e guloseimas gostosas.

E encontrou a saída

a melhor que concebia
o presente glorioso
pra tão importante dia.

A curva da meia noite

trouxe grande inovação
pois nova metamorfose
se firmou na ocasião.

O homem lobisomado

virou dois num corpo só
pois eram duas cabeças
no seu corpo dando nó.

O rosto do Lobisomem

tomando conta da cena
junto ao de Roberto Carlos
cantando “Mulher Pequena”

Fulozinha delirou

mais que muito satisfeita
entre todas as mulheres
a a homenagem perfeita.

A bruxa que espreitava

pra fazer aprontação
explodiu de tanta raiva
e encerrou sua função.

E o resultado maior

eu ainda vou dizer.
A Comadre Fulozinha
queria mais pra viver.

Não bastava o Lobisomem

depois da transformação
queria também amá-lo
na humana condição.

Queria formar casal

amor vinte e quatro horas
ter uma casa e família
como todas as senhoras.

E isto ela conseguiu

com os magos da floresta
em uma grande assembléia
que terminou numa festa.

No clarear da manhã

quando cessa o Lobisomem
Fulozinha a mulher
acompanha o seu homem.

À meia noite os dois

vivem a transformação:
e cada um vai cumprir
no mundo a sua missão.

Lobiflor ou Florilobi

família constituída
multiplicando os filhos
que se espalham pela vida.

Trilhando a vida humana

Fulosinha descobriu
as histórias sobre ela
e de muitas delas riu.

E seguindo seu roteiro

as florestas sempre em vista
estudou agronomia
virou ambientalista.

Também foi ser professora

para ensinar à moçada
o zelo com a natureza
que deve ser preservada.

E o duplo do Lobisomem

se chamava Doutor Lobo
respeitado psicólogo
que nada tinha de bobo.

Procurava estimular

a integração corpo-mente
sentimentos e idéias
seguindo a mesma corrente.

E assim vivia o casal

com a ninhada de filhos
num amor especial
dentro e fora dos trilhos.

Mostrei uma história ousada

Além do lugar comum
Reafirmando a verdade
Cabível a qualquer um:
Em tratos de sentimento
Liberdade faz assento

O limite é nenhum.