20.7.16

ENTRE VARGAS E TEMER, ERDOGAN...

Por PEDRO RICARDO MAXIMINO -


É inevitável a associação entre a articulação adotada por Recep Erdogan a partir da alegada "tentativa de golpe frustrada" e o comportamento historicamente repetido, inclusive em episódios que marcaram o Brasil no século XX, de apontar o inimigo enquanto se rouba a democracia.

Assim como Getúlio Vargas utilizou a repressão ao movimento comunista de 1935 para suprimir as liberdades e garantias individuais, abrindo caminho para o Estado Novo de 1937, Erdogan reencena com novos atores a geopolítica da história mistificada (ardis da manipulação contemporânea, comparável a faróis diurnos em exclusão aos noturnos em equivocada compreensão de iluminadas latitudes tropicais).

Porém, muito além da nova queda da Constantinopla às portas européias, em sentido eurasiático de contragolpe, avizinhada e imiscuída com grupos divisores da Síria e do "modus operandi" típico de Vladimir Putin, nosso Brasil, que disputa com a Turquia pelos mais altos níveis de taxas de juros mundiais, também encontra sua mistificação, personificada em Michel Temer, dentre cavaleiros submetidos após o século do aço em sequências mentirosas de efeitos que seguem massacrando as multidões mais indefesas.

A realidade também é distorcida pelos interesses da pessoalidade e do favorecimento de poucos grupos em detrimento da maioria humana desprovida de potestatividade, até mesmo para a defesa dos seus direitos mais elementares, inclusive em relação ao valor e ao modo de trabalho e à previdência.

Sem segurança, quer seja em "safety" da aeronave, quer seja em "security" da intervenção ilícita, seguimos ameaçados por terroristas que se disfarçam em meio a explosivas manobras contra a Lava Jato e às partidas e chegadas simultâneas do país continental dependente de modais precários de transporte, que retarda muito mais do que o trânsito urbano e eleva os perigos de acidentes nas estradas-gargalos de logística muito mais do que as demandas imediatas nas longas filas dos aeroportos, resvalando em meio ao ricochete balístico de grosso calibre que alveja o cidadão-contribuinte-eleitor (Hélio Fernandes) consumido na demora judicial que torna ineficiente, ineficaz e inefetiva a solução de litígios pelos meios oficiais.

As exceções são louváveis e esperamos que prevaleçam sobre essa inversão que torna vices decorativos e capitalistas de quadrilha falsos heróis em impossível diferenciação em relação ao grupo de idênticos objetivos ao qual acusa.