22.7.16

FALTA CORAGEM

CARLOS CHAGAS -


Dia 3 de março de 1933, um sábado. Em Washington, Franklin Delano Roosevelt prestava juramento à Constituição. Foi quando discursou enfatizando que os americanos apenas deveriam ter medo do próprio medo. Prometeu comida na mesa para todos, enfrentando uma recessão de três anos que deixara 14 milhões de desempregados. Os alto falantes entoaram “Happy days are year again”. As empresas demitiam 100 mil empregados por dia e o novo presidente prometia esperança, porque mudaria as relações entre o governo federal e a população. Deu certo, os bancos foram fechados por oito dias sob o apelo de que todos voltassem a depositar neles os seus dólares. Era o New Deal que começava.

Agora que Michel Temer acaba de completar quarenta dias no poder, está devendo mensagem semelhante. É verdade que não foi eleito, como nos Estados Unidos, mas 12 milhões de desempregados não lhe deixavam alternativa.

Até hoje o presidente brasileiro não disse a que veio, pelo menos na intensidade do americano. Nenhuma palavra dele calou fundo entre nós, esperando-se que quando vier a receber o mandato definitivo, daqui a menos de um mês, possa corrigir a omissão.

O Brasil carece de uma exortação igual, mas, acima de tudo, de um governo voltado para a esperança. Lá em cima, a prioridade foi combater o desemprego, com a abertura de frentes públicas de trabalho, de forma a que as famílias tivessem acesso a salários.

Aqui, nenhuma promessa igual. Pelo contrário, só aumenta o medo da abertura de mais dispensas do trabalho, sem esperança de o governo chegar a qualquer iniciativa. Não há a mínima sensação de segurança para a massa abandonada. Muito menos de confiança.

Claro que não dá para comparar Temer com FDR, mas em se tratando de dois presidentes, sempre seria possível aproximá-los. Falta coragem.