14.12.16

1 - DOM PAULO EVARISTO ARNS MORRE AOS 95 ANOS; 2 - MARCELO ODEBRECHT CONFIRMA PROPINA A MICHEL TEMER E ALIADOS DESCRITA EM DELAÇÃO DE EXECUTIVO; 3 - BRESSER PEREIRA: “PRECISAMOS DA RENÚNCIA DE TEMER E DE ELEIÇÕES DIRETAS JÁ”

REDAÇÃO -


Morreu no final da manhã hoje (14), em São Paulo, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Ele estava internado desde o dia 28 de novembro com broncopneumonia, no hospital Santa Catarina. Ontem (13), o estado de saúde do arcebispo emérito da Arquidiocese de São Paulo havia piorado ele estava na UTI em função de problemas na função renal.

Dom Paulo tinha 95 anos, 71 anos de sacerdócio e 76 anos de vida franciscana. Ele era cardeal desde 1973 e foi arcebispo metropolitano de São Paulo entre 1970 e 1998.

O velório terá início no final da tarde na Catedral da Sé.

O trabalho pastoral de Arns foi voltado principalmente aos habitantes da periferia, aos trabalhadores, à formação de comunidades eclesiais de base nos bairros e à defesa e promoção dos direitos humanos. O portal Memórias da Ditadura, do Instituto Vladimir Herzog, relata parte da atuação do cardeal, que ganhou destaque já em 1969, quando passou a defender seminaristas dominicanos presos por ajudarem militantes opositores.

Biografia - Dom Paulo Evaristo Arns nasceu no dia 14 de setembro de 1921 em Forquilhinha (SC) e ingressou na ordem franciscana em 1939. Foi ordenado presbítero em novembro de 1945 na cidade de Petrópolis (RJ). Frequentou a Sorbonne de Paris, onde estudou patrística (filosofia cristã) e línguas clássicas. Foi professor e mestre dos clérigos e chegou a atuar como jornalista profissional. Trabalhava como vigário nos subúrbios de Petrópolis quando foi indicado bispo auxiliar de Dom Agnelo Rossi, em São Paulo, em 1966. Foi nomeado arcebispo de São Paulo em outubro de 1970, aos 49 anos.

Com formação em filosofia e teologia, Arns escreveu 56 livros e recebeu mais de uma centena de títulos nacionais e internacionais. Entre seus livros mais conhecidos está Brasil: Nunca Mais, um projeto conduzido de forma clandestina entre os anos de 1979 e 1985, desenvolvido pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo, sob a coordenação do reverendo Jaime Wright e de Dom Paulo e que retrata as torturas e outras graves violações a direitos humanos durante a ditadura militar brasileira.

Entre outros episódios de sua trajetória, destacam-se também sua atuação contra a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC), comandada pelo então secretário de Segurança Pública de São Paulo, coronel Erasmo Dias, em 1977, e o planejamento da operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.

Em março de 1973, ele presidiu a "Celebração da Esperança", em memória do estudante Alexandre Vannucchi Leme, morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva um dossiê relatando os casos de 22 desaparecidos. Em outubro de 1975, celebrou na Catedral da Sé o histórico culto ecumênico em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime militar. Anos depois defendeu o voto popular na campanha Diretas Já.

Em outubro deste ano, ele foi homenageado no Teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca), na capital paulista, pelos seus 95 anos de vida, e pela sua atuação política. A cerimônia foi marcada por relatos de ações de Arns contra a ditadura militar, nas décadas de 60 e 70, e em defesa dos direitos humanos. O papa Francisco enviou uma mensagem especialmente para a comemoração. O cardeal compareceu e fez uma breve fala de agradecimento ao final.

Posições firmes - Em entrevista à BBC Brasil, em abril de 2014, o ativista de direitos humanos argentino Adolfo Perez Esquivel, de 82 anos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, disse que foi salvo duas vezes por dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil. "Dom Paulo, certamente, falou com autoridades do Brasil para que eu fosse liberado. Mas não sei as gestões exatas que ele fez. O que sei é que ele não perdeu tempo em organizar uma manifestação na porta da delegacia para me salvar. E me salvou", disse.

O cardeal mantinha posições firmes. Em 1984 defendeu a instalação da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração de 1988 - que só viria a ser instalada em 1987. "Toda crise é momento de mudanças qualitativas. A crise que estamos atravessando é profunda. Estamos procurando deixar para trás uma fase pouco feliz da nossa História. A Constituinte será ocasião de preparar estruturas para a nova etapa. Considero essencial que ela se instale e comece o seu trabalho o mais cedo possível", disse Arns na publicação Lua Nova: Revista de Cultura e Política.

A palavra esperança fazia parte dos discursos do cardeal. Na cerimônia de posse como arcebispo de São Paulo, perante cerca de 5 mil fiéis, declarou: "Venho do meio do povo desta arquidiocese a que já pertencia, do clero a quem amo e de quem sou irmão, dos religiosos que comigo se esforçam para serem sinal e esperança dos bens que estão para chegar, dos leigos que entendem o serviço aos irmãos como tarefa essencial de sua existência."

A palavra também foi dita quando soube da morte da irmã, Zilda Arns, vítima do terremoto no Haiti em 2010: "Que nosso Deus em sua misericórdia acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e pelos desamparados. Não é hora de perder a esperança. Ela morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou". (informações Agência Brasil)

Leia também: Dom Paulo Evaristo Arns, presente!


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Marcelo Odebrecht confirma propina a Temer e aliados descrita em delação de executivo

As informações são da Folha de S.Paulo.

O delator Cláudio Melo Filho já apresentou, inclusive, provas da propina encaminhada a Temer, incluindo um email de Marcelo Odebrecht (MO) para comprovar que os R$ 10 milhões pedidos por Michel Temer à empreiteira no Jaburu foram propina. Na mensagem, Marcelo diz ter feito o pagamento a MT (Michel Temer) depois de “muito choro” e afirmou que este seria o último pagamento ao time dele. Os recursos foram divididos com Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, José Yunes, amigo e parceiro de Temer, e também Eduardo Cunha, que, nas perguntas que tentou enviar a Temer, mas que foram barradas por Sergio Moro, o questionou sobre essa doação.

“Marcelo não deu detalhes sobre a operacionalização do dinheiro que, de acordo com Melo Filho, foi feita por Padilha. Segundo o ex-executivo, o hoje ministro do governo pediu que parte dos recursos fosse entregue no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer, em São Paulo.

Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos acordos.

Após a conclusão dos depoimentos, o ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), decide por homologar ou não os acordos.”

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Bresser: “Precisamos da renúncia de Temer e de eleições diretas já”

Do Facebook do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira:

Ontem a Folha publicou belo e indignado artigo de Guilherme Wisnik sobre filme documentário, “Martírio”, de Vincent Carelli, que narra a violência e o roubo de terras de que têm sido vítimas os Guaranis-Kaiowás do Mato Grosso. E na mesma Folha há a notícia de que o governo federal prepara decreto que permitirá ao agronegócio rediscutir todas as terras que já são reservas indígenas. Hoje continuará a votação da emenda do teto que esse mesmo governo enviou ao Congresso para iniciar o desmantelamento do Estado social brasileiro. O desemprego não para de subir e as empresas estão quebradas ou quase, mas esse governo nada faz.

Que governo é esse? Um governo de oportunistas que participaram durante treze anos dos governos do PT, nunca tendo adotado um programa ortodoxo-liberal, mas que agora o adotam de forma radical. Um grupo de políticos que aproveitou a crise econômica e política para prometer ao PSDB e às elites rentistas e financeiras um programa neoliberal através do documento, “Ponto para o Futuro”.

Qual o critério que utiliza desde que assumiu o poder? O critério neoliberal: supor que “o mercado” (um mecanismo milagroso) tudo coordena com perfeição, de forma que o governo nada tem a fazer no plano econômico senão cortar despesas, reduzir o tamanho do Estado, tirar direitos dos trabalhadores e dos pobres.

Quanto tempo durará esse governo? Já não acredito nem quero que chegue a 2018. As delações mostram que seus membros não recebem apenas doações no caixa 2: eles receberam também propinas, trocaram emendas ou obras por dinheiro. O aprofundamento da recessão mostra que o governo, ao invés de procurar superá-la, a aprofunda. Sua popularidade não para de cair. Torna-se cada vez mais claro para as classes médias moralistas que trocaram o governo Dilma ficaram por um governo muito inferior no plano moral. E a pesquisa de hoje do Datafolha mostra que o carro-chefe das suas reformas neoliberais, o teto fiscal, é fortemente rejeitado pela pelos brasileiros: 60% são contra; apenas 24%, favoráveis. Pesquisa de ontem também do Datafolha mostra que a popularidade de Lula voltou a subir fortemente.

Hoje o notável jornalista Mario Sergio Conti publica na Folha o artigo “Fora Temer”, no qual afirma, com razão, que “o presidente é o obstáculo maior à normalidade democrática e à racionalidade econômica”. Há 45 dias um jovem me convidou para participar de uma manifestação “Fora Temer”. Eu disse a ele que compreendia a indignação dos jovens contra um governo que chegou ao poder violentando a democracia, mas com a minha idade e a minha responsabilidade eu não queria aprofundar a crise. Já não penso mais assim. A crise só se aprofunda; os prejuízos econômicos, sociais, e morais são cada vez maiores. O Brasil voltará a ser governado de maneira minimamente decente quando seu presidente for diretamente eleito pelo povo. Precisamos da renúncia de Temer e de eleições diretas já.