18.1.17

AGRONEGÓCIO É TUDO? E OS TOMATES DA TV GOLPE DOS MARINHO?

Por ANDRÉ MOREAU -


O agronegócio destrói o que planta e ignora o pequeno produtor que não recebe as benesses dos bancos públicos.

Para os Marinho, os maiores sonegadores de impostos do País, exibir com tratamento banal no noticiário sobre a ignorância do agricultor que mandou os empregados passarem com trator sobre a plantação de tomates, não passa de mais uma armação, um dos capítulos da novela de dominação das transnacionais do Brasil.

A editoria do telejornal, das organizações Globo, trata o assunto como mais uma virada da narrativa, de convencimento dos telespectadores, agora tratando do pobre agricultor que diante dos elevados custos com os fretes de caminhões, só tinha essa saída, destruir toda sua lavoura de tomates.

O que passou ao largo, foi o fato de que, se o transporte dos tomates fossem feitos por ferrovias ou, por transportes fluviais e ou, marítimos (cabotagem), os tomates poderiam chegar do produtor ao consumidor, em melhores condições e por um custo infinitamente mais barato o que poderia lhe assegurar ganhos maiores.

A ignorância banalizada nos faz pensar que pela lógica quando a premissa é errada, a conclusão será sempre errada. É por isso que na lógica, menos com menos é igual a mais, ou seja, a mentira repetida cem vezes, se torna verdade.

Lendo a narrativa que vem sendo construída pela editoria do JN, desde 2013, vemos que agora chegou a hora dos oligarcas se livrarem do afoito e ilegítimo Michel Temer, para avançar com o projeto neoliberal que, ao que tudo indica, pelos debates ocorridos no Supremo Tribunal Federal, deverá seguir rumo ao golpe, dentro do golpe, visando instituir, sem voto, o parlamentarismo que assegure o crescimento do agronegócio, em detrimento da saúde pública, dentre outros cortes de políticas públicas, o que afetará principalmente os mais pobres, objetivando transformar o País no celeiro abastecedor dos estadunidenses.

O grotesco noticiário sobre as razões de mercado que levaram o agricultor a destruir a plantação de tomates, pela lógica, partindo de uma premissa certa, deveria ser conduzido com feições de denúncia. Pensando nessa linha de informação que ao contrário da banalização do assunto, deveria beneficiar os telespectadores, o agricultor deveria ser abordado como quem ignorou, por só pensar em ter, os prejuízos que promoveu com sua ação, inclusive para os cofres públicos que financiam suas produções.

O agricultor, personagem da editoria das organizações Globo, disse, sem quase falar, à população mais pobre que "manda quem pode, obedece quem tem juízo", por isso, se estivéssemos em um estado de direito e em uma democracia de fato, deveria, no mínimo, ser proibido de captar recursos junto a bancos públicos para mais investir em sua produção.

*André Moreau, Professor e Jornalista, Diretor do IDEA – Unitevê (Canal Universitário de Niterói) e Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes Nas Artes/Fonte: blog Jornal da ABI.