20.1.17

DIRETORIA DA ABI INSTALA CÂMERAS PARA ESPIONAR FUNCIONÁRIOS E EVENTUAIS ASSOCIADOS QUE SE OPONHAM A MEIRELLES

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Muito lamentável é o que está acontecendo na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), sob a presidência de Domingos Meirelles. Na condição de jornalista vinculado a questões policiais, que exerceu durante algum tempo na TV Record, o presidente da ABI decidiu instalar na sede várias câmeras para controlar o que se passa por lá, sobretudo exercer vigilância sobre os funcionários.

Além desse controle, as câmeras controlam também qualquer tipo de atividade exercida por associados nas dependências da ABI. Trocando em miúdos, isso quer dizer que se associados que discordam da diretoria quiserem se reunir na sede, serão acompanhados pelas câmeras, que transmitirão para o presidente ou qualquer diretor presente o que acontece na reunião.

Trata-se, portanto, de uma censura velada ao estilo policial, não muito diferente do que Domingos Meireles exercia em reportagens policiais que abordavam geralmente pessoas de baixo poder aquisitivo. E ainda por cima, o próprio Meireles, utilizando-se do site da ABI, para tentar retornar à TV Record, que decidiu suspender o programa que ele conduzia.

É vergonhoso o que está acontecendo na entidade que era considerada em outras gestões como a Casa dos Jornalistas. E como se não bastasse, a diretoria capitaneada por Domingos Meireles não informa o que acontece na ABI para seus associados. Exemplo disso é que até hoje, pelo menos dois anos e meio depois da realização do último pleito para a escolha da diretoria não foi feita nenhuma ata sobre os acontecimentos.

Ou seja, Domingos Meireles e seus diretores deixaram de informar sobre os acontecimentos anteriores à eleição, inclusive o veto à inscrição da chapa Villa-Lobos. E também os associados deixaram de ser informados com detalhes sobre como foram realizadas as eleições em que a atual diretoria capitaneada por Domingos Meireles se proclamou vencedora com pouco mais de 52 votos.

Quer dizer, se for exigido que a diretoria apresente uma ata sobre os acontecimentos, nunca elaborada, que culminaram com a eleição, muitos fatos terão de ser informados aos associados, o que poderá colocar em dúvida a autenticidade da própria eleição.

E é importante que essa lacuna venha ser preenchida e apresentada antes da realização da eleição para a renovação de um terço do Conselho Deliberativo.

Por estas informações que foram apresentadas aqui sinteticamente é que se exige que não se esconda mais o que acontece na ABI, hoje sob o domínio de uma diretoria que omite fatos e que nas últimas semanas, em função a proximidade da eleição para o Conselho Deliberativo tenta mais uma vez enganar os associados com posições aparentemente defensoras do jornalismo, quando desde a ascensão de Meireles a ABI tem se revelado como correia de transmissão do patronato conservador, que tenta de todas as formas evitar que a entidade secular volte a ter protagonismo nacional, como em outras épocas.

*Mário Augusto Jakobskind, Professor, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Unitevê - Canal Universitário, de Niterói - UFF – Universidade Federal Fluminense/Fonte:  blog Jornal da ABI.