27.2.17

CARNAVAL CARIOCA, UM CAOS ORGANIZADO. MILHÕES DE FOLIÕES CELEBRAM O REINADO DE MOMO

ALCYR CAVALCANTI -

O Carnaval na cidade maravilhosa não se resume a três dias de folia. O Reinado de Momo que já começou há muito tempo não vai "se acabar na quarta feira" como na poesia de Vinicius de Morais embora o atual alcaide não veja com bons olhos a farra carioca da cidade que o elegeu e preferiu ficar longe da folia. O Carnaval Carioca vai oficialmente até o desfile das campeãs, que termina na madrugada de domingo, dias depois da quarta feira de cinzas. Já se foi o tempo em que a folia terminava em pancadaria e intensa repressão policial, em alguns casos na meia noite de terça feira, como nos anos setenta onde a "poliçada" irritada pela farra sem fim enfiava o cacete e de quebra levava os mais renitentes no camburão.


Agora uma série de fatores resolveu estender a farra, apesar da já ter sido iniciada há algumas semanas provocando um enorme prejuízo para uns e uma alegria desmedida para outros. Fazer um Carnaval é o equivalente a fazer um caos, onde tudo se confunde, em uma total inversão: homens podem se vestir de mulher, adultos em crianças, mulheres em heróis masculinos, debochados em religiosos, pobres em nobres, crianças em super heróis ou monstros terríveis. No Carnaval da Barra da Tijuca uma Jack Sparrow como um tropical Brad Pitt do Piratas do Caribe ao lado de uma heroína- aranha cantavam o samba enredo da Viradouro. Acontece uma anulação entre as barreiras sociais, embora muito efêmera, os pobres vão continuar cada vez mais pobres e os corruptos e corruptores vão continuar dando as ordens e rapinar nosso suado dinheiro, apesar dos juízes impolutos que se assemelham (segundo eles) a semideuses.

O ponto alto do Reinado de Momo, oficialmente é o desfile das escolas de samba, em seu palco planejado pelo gênio de Oscar Niemayer, o Sambódromo, agora em uma apresentação de quatro dias, dois para o Grupo de Acesso e dois para a Elite do Samba. A verdadeira alegria está  nas ruas da cidade, em todos os bairros o folião cai no samba, ou nas marchinhas proibidas  em nome de um equivocado politicamente correto para exorcizar os fantasmas oriundos de Brasília, que ameaçam todos nós. O carioca tem mais medo dos vampiros de Brasília do que das delações da Lava Jato. Ma como quase tudo acaba em samba, centenas de blocos e bandas fazem a festa, para todos os gostos, todos os gêneros e para o reinado efêmero do Rei da Folia, para tudo se acabar em uma segunda feira, de Cinzas.