9.2.17

ESQUEMA DELIBERADO PARA DESVIAR A ATENÇÃO DO QUE REALMENTE IMPORTA

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Esta também é incrível e está ocupando amplos espaços na mídia comercial conservadora. Trata-se de um suposto aneurisma do acusado de corrupção, o ex-deputado Eduardo Cunha. A afirmação de Cunha segundo a qual o peemedebista e atual Presidente usurpador Michel Temer indicou diretores da Petrobrás envolvidos em atos corruptos ficou em segundo plano.

Mas o que o ex-presidente da Câmara dos Deputados revelou sobre o suposto aneurisma virou manchete em jornalões e telejornalões.

No dia seguinte ao suposto aneurisma, alegação para o preso em Curitiba se beneficiar da soltura, Cunha se negou a fazer exame médico para confirmar o que tinha dito e teve grande destaque.

Mais importante do que o suposto aneurisma é a denúncia que deixa mal o golpista Temer, que só chegou a ocupar o cargo com o empenho de Eduardo Cunha, mas até agora não teve grande repercussão perdendo em larga escala para o suposto aneurisma.

Na verdade, por mais que queira Cunha para desviar o foco de suas ações na Petrobrás, aneurisma não serve de justificativa para livrar alguém da cadeia. Basta controlar a pressão, segundo médicos, para evitar o que aconteceu com a ex-primeira dama Marisa Letícia. E ocorrer um acidente vascular cerebral pode acontecer em qualquer lugar.

Mas Cunha joga as suas fichas todas para conseguir sair da prisão em Curitiba. Acusa Temer e poderá acusar outras figuras que compõem o staff peemedebista que ocupa o governo, notoriamente ilegítimo e usurpador.

Nesse sentido, o papel(ao) da mídia comercial conservadora é fundamental. Coloca em segundo plano a denúncia, que no fundo é um aviso do acusado de corrupção que pode soltar mais coisas, dependendo da repercussão entre as figuras que acusou neste primeiro momento.

Outro tema que ocupa espaços na mídia comercial conservadora é o dos sucessivos elogios ao agora ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado por Temer para Ministro do STF. O Globo, por exemplo, ignorou objeções ao indicado, inclusive a tese de doutorado do próprio Moraes, para colocá-lo nas alturas, como se fosse tal possível em se tratando de quem se trata.

Moraes, sem dúvida, vai ser confirmado pelo Senado, porque naquela Casa Legislativa o governo golpista tem total apoio e aprova qualquer coisa que quiser. O mesmo acontece na Câmara dos Deputados. O Parlamento, diga-se de passagem, conta com Moraes para aliviar a barra de integrantes das duas Casas acusados de mal feitos na Lava Jato.

Fazendo um paralelo sobre os últimos acontecimentos nacionais com a atual diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pode-se constatar que a estratégia de ação é muito semelhante. Basta acompanhar o site da entidade para confirmar que acontece a chamada estratégia da dissimulação. Ou seja, questões que deveriam estar em primeiro plano são jogadas para espaços secundários, enquanto temas de relevância zero, como, por exemplo, o pedido feito pelo atual presidente Domingos Meireles para que a TV Record o recontratasse ganham espaço de grandeza.


Considerar o regime ditatorial instalado no Brasil a partir de abril de 1964 como "movimento político militar" e não ditadura pura e simples faz parte também da estratégia de dissimulação capitaneada por Domingos Meireles. Tecer elogios ao presidente golpista 2016 Michel Temer confirma ainda a que ponto (de podridão) chegou a atual diretoria da ABI.

Esconder atas que contam a história da eleição 2016-2019 da atual diretoria e a ocultação do veto à chapa Villa Lobos, de oposição, completa o quadro da dissimulação que transformou uma entidade secular como a ABI em uma mera correia de transmissão de uma mídia comercial conservadora dominada pelos chamados barões (manipuladores) da mídia, colaboradores do golpe que colocou no governo Michel Temer e sua patota peemedebista, tucana, que conta com o apoio de outros partidos como o Dem(o), PP, PPS, PSD, devidamente compensados com cargos nos mais diversos escalões.

*Mário Augusto Jakobskind, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Universidade Federal Fluminense/Fonte:  blog Jornal da ABI.

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