11.3.17

1 - PRIVACIDADE AMEAÇADA, REVELA WIKILEAKS; 2 - ESCÂNDALO COM DISTRIBUIÇÃO DE NUDES DE SOLDADAS ABALA FORÇAS ARMADAS DOS EUA

REDAÇÃO -

Wikileaks revela que métodos de espionagem do serviço de inteligência dos EUA incluem invasão de celulares, computadores e até aparelhos de TV.


“Você está sendo monitorado.” Essa frase está presente em um dos memes (piadas enviadas pela internet) compartilhados por funcionários do serviço de espionagem dos Estados Unidos, a CIA. O chiste poderia ser só bravata, se não fosse descoberto ao lado de explicações detalhadas de como a agência invade telefones celulares, vigia conversas do Skype e do Whatsapp e até transforma TVs em escutas que captam conversas ambientes. As revelações foram feitas pelo site Wikileaks, de Julian Assange, na terça-feira 7. Apesar de ainda não haver confirmação oficial da veracidade dos quase 9 mil documentos vazados, fontes ligadas ao governo e especialistas da área acreditam que as informações são legítimas. Se reais, as denúncias confirmam a suspeita de que ninguém está a salvo de ter sua vida devassada. “O Wikileaks mostrou que esses órgãos possuem uma capacidade absurda de espionagem”, diz Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) especializado em tecnologia da informação. “As sátiras dos memes deixam claro que eles têm exata noção do que estão fazendo.”

Pelo que foi revelado, a CIA se vale de vulnerabilidades presentes em aparelhos eletrônicos e softwares, coisa que o ex-presidente Barack Obama havia prometido alertar às empresas caso descobertas. Fizeram exatamente o contrário: os hackers da agência usavam as brechas para bisbilhotar seus alvos. Não se sabe exatamente quem foi observado, apenas os métodos utilizados pelos espiões. Existem, por exemplo, 24 maneiras diferentes de violar celulares Android, e 14 de invadir iPhones. Sistemas operacionais de todas as marcas são vulneráveis, incluindo Windows, Mac OS e Solaris — este último um programa muito mais sofisticado e profissional, utilizado em servidores. O aplicativo Whatsapp também é vulnerável, apesar de sua criptografia continuar inquebrável — o jeito foi interceptar mensagens antes de elas serem enviadas. Mesmo TVs conectadas à internet fabricadas pela coreana Samsung podem ser usadas para captar conversas ambientes, apesar de isso ainda não ser feito remotamente. “Todos deveriam estar preocupados”, afirma Geraldo Zahran, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Por mais que as agências de segurança não estejam interessadas no meu telefone ou no seu, essa possibilidade existirá e poderá chegar às mãos de outras pessoas.”

A diminuição das liberdades individuais costuma ser justificada pela prevenção ao terrorismo. No entanto, atentados continuam matando nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Médio. A realidade é que a espionagem pode dar vantagens fundamentais nas esferas políticas, econômicas e diplomáticas. Já se sabe por vazamentos anteriores, por exemplo, que a administração Obama grampeou telefones da chanceler alemã Angela Merkel e da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. Em fevereiro, o próprio Wikileaks publicou uma prévia do que seria um esquema de devassa dos Estados Unidos à eleição presidencial da França em 2012. O site avisou que o conjunto de 9 mil documentos é somente o primeiro lote de uma série de vazamentos, chamados coletivamente de Vault 7. “Já ultrapassamos há muito tempo a distopia do livro 1984, de George Orwell”, diz Silveira. “Hoje não temos só um Grande Irmão, mas vários Grandes Irmãos nas corporações e governos.”

ALÍVIO PARA TRUMP

Os vazamentos acontecem em meio à briga das agências de inteligência com o presidente Donald Trump, que as acusa de fazer vazamentos seletivos em benefício dos democratas. Além disso, nos últimos dias, o mandatário estava sob forte ataque por conexões de assessores seus com a Rússia. As suspeitas são de que Moscou interferiu na eleição americana em benefício do republicano. As novas revelações aliviam a pressão sobre os russos (pois os Estados Unidos adotam práticas semelhantes), beneficiam Trump (pois tiram seu problema do foco) e são um baque para a CIA (cujos métodos deveriam ser secretos). “Essa briga também é política, já que Assange enfrenta processo nos Estados Unidos por conta divulgações de dados anteriores”, afirma Zahran. “Nenhum documento do Wikileaks condenou Trump, então ele pode estar apostando que haverá uma contrapartida do presidente a seu favor.”/via Istoé

VOCÊ ESTÁ SENDO ESPIONADO?

Aparelhos vulneráveis ao grampo do governo americano

> Celulares
De acordo com os vazamentos, há 24 maneiras diferentes de violar a segurança de aparelhos Android, e 14 de invadir iPhones

> Smart TVs
Existe também uma forma de grampear microfones dos modernos televisores Samsung, mesmo que eles estejam desligados

> Computadores
Todos os sistemas operacionais são vulneráveis, do Windows ao Mac, passando por programas sofisticados como o Solaris

> Mensagens
As agências não conseguiram quebrar a criptografia do Whatsapp. Em vez disso, passaram a interceptar mensagens antes do envio

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Militares das Forças Armadas dos Estados Unidos têm compartilhado fotos de colegas nuas na internet

Na semana passada, veio à tona a denúncia de que fuzileiros navais usavam o Facebook para compartilhar os “nudes”, o que desencadeou uma investigação da Marinha.

A BBC teve acesso, no entanto, a um fórum de discussão, hospedado no site de compartilhamento anônimo de imagens Anon-IB, onde militares de outros setores das Forças Armadas também trocavam centenas de fotos de colegas.

Algumas vezes, eles postam primeiro fotos das mulheres vestidas, retiradas de suas páginas nas redes sociais. Em seguida, perguntam se algum membro tem os “nudes”, que eles chamam de “vitória”. As imagens então são postadas.

Às vezes, as postagens fornecem o nome das mulheres e identificam o local onde estão lotadas. Muitos posts são acompanhados por comentários de teor sexual.

A denúncia inicial, que se restringia aos fuzileiros navais, se referia a um grupo no Facebook. Chamado Marines United, o grupo tinha 30 mil membros e foi fechado depois que o escândalo veio à tona.

“Quando eu vejo denúncias de fuzileiros denegrindo suas colegas, eu acho que esse tipo de comportamento não é digno de verdadeiros guerreiros ou combatentes de guerra”, disse o general Robert Neller, comandante dos fuzileiros navais, que classificou as revelações como um “constrangimento”.

Embora o grupo do Facebook tenha sido fechado, o fórum de discussão do site Anon-IB continua ativo e indica que tais práticas se estendem por todas as Forças Armadas. (…)/via BBC