9.3.17

1 - RENAN DIZ QUE EDUARDO CUNHA MANDA NO GOVERNO DE DENTRO DA PRISÃO; 2 - LULA VOLTA A PEDIR SUSPEIÇÃO DE SERGIO MORO

REDAÇÃO -


Para o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atua no governo do presidente Michel Temer mesmo de dentro da cadeia, onde está desde setembro. Após almoço com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, Renan sugeriu que Temer está sendo chantageado por Cunha e apontou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, de ser o porta-voz do ex-presidente da Câmara no Palácio do Planalto.

Renan demonstrou irritação com as nomeações do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) como novo ministro da Justiça, de André Moura (PSC-SE) como líder do governo no Congresso, e de Aguinaldo Ribeiro Ribeiro (PP-PB) para a liderança do governo na Câmara. Os três atuaram como aliados de Cunha na Câmara. O alagoano afirmou, ainda, que o governo é alvo de disputa entre o PSDB e o grupo do ex-deputado preso.

O ex-presidente do Senado insinuou também que Temer não faz a leitura correta do atual cenário. “Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo. Os sinais são, de um lado, o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha”, declarou o senador ao voltar do Planalto.

Segundo o senador, Cunha trabalha para emplacar o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, que foi seu advogado e é seu amigo pessoal, para o comando da pasta, no lugar do ministro Eliseu Padilha, que estava licenciado para a retirada da próstata. O ministro confirmou ontem a volta ao trabalho. (…)

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Lula volta a pedir suspeição de Sergio Moro

Advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitaram a suspeição do juiz federal Sérgio Moro no julgamento das ações contra o ex-presidente. O pedido desta vez foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na petição encaminhada ao ministro Félix Fischer, o advogado Cristiano Zanin Martins lista 13 pontos em que o juiz Sergio Moro se comporta de modo a perder a imparcialidade necessária para julgar as acusações contra Lula.

Segundo a defesa, entre eles estão o fato do magistrado ter se referido ao ex-presidente Lula como “príncipe da Idade Média”.

A petição também relaciona um vídeo, realizado pela Transparência Internacional, órgão financiado pela petroleira Royal Dutch Shell, no qual o juiz Sérgio Moro aparece dando declarações sobre a operação, junto com depoimentos de membros do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal, “como se fizessem parte de um mesmo time”.

“Apenas para ilustrar, imagine-se se a defesa de Lula apresentasse suas análises sobre os processos da Lava Jato em um vídeo que tivesse a participação do magistrado responsável pelo julgamento da causa!”, diz a defesa de Lula.

O ministro Felix Fischer negou em decisão monocrática o pedido da defesa de Lula. No entanto, o magistrado submeteu o caso ao plenário do STJ. (via 247)