24.3.17

BEM INDIVIDUAL, MAL COLETIVO

Por LUIZ ARRAES -


De Brasília/DF, onde estava na noite do dia 22 de março, vivenciei a grave derrota dos trabalhadores, com a inconsequente aprovação - sem sequer indagar o impacto social da medida - da Terceirização irrestrita (PL 4302/98) por uma horda de 231 deputados. Inversa aos interesses das próprias bases eleitorais dos parlamentares, a atitude, ao desnudar enfim o eixo parasítico que cimenta a relação da classe política com as elites econômicas, aponta também para a formação de força conjunta necessária  à impedir o triunfo de um projeto de governo que prega o completo desmonte do trabalhismo e da aposentadoria.

Além da pressão das ruas, contribuirá para que o repúdio coletivo manifestado à medida não fique no simples jogo de palavras, a capacidade de fazer ressoar o contraponto ao que vem sendo distribuído como verdade para a população, por uma mídia convenientemente tendenciosa. Neste sentido, a  internet, com seu potencial de alcance, é uma valiosa ferramenta contra o silêncio e a resignação popular. A certeza de que o povo brasileiro nada fará para enfrentar a desordem nacional que se estabelece no Congresso, encoraja políticos usurpadores de direitos. O movimento sindical, que esteve sempre à frente de momentos definidores da história do Brasil, precisa mais uma vez fazer valer sua natureza combativa, e tentar assim impor um novo horizonte ao país.

*Luiz de Souza Arraes, presidente da Federação Estadual dos Frentistas – Fepospetro-  é secretário de Negociações Coletivas da Federação Nacional dos Frentistas – Fenepospetro  Diretor de Relações Internacionais da CNTC