18.3.17

DÚVIDAS EM RELAÇÃO A 2018 E CERTEZAS EM RELAÇÃO À CARNE

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -

Amigos meus do campo progressista aventam a possibilidade de não realização das eleições presidenciais do próximo ano. Não consigo identificar todas as razões invocadas para isso, mas é certo que algumas povoam pesadelos e sonhos da direita e da esquerda.

A primeira diz respeito ao medo da direita de que Lula volte. Isso se baseia nos seguintes pressupostos: primeiro, que Lula vai superar todos os óbices legais e de saúde que embaraçam, em tese, sua candidatura. Nessa hipótese, afirmam, ele seria imbatível.

Os que abraçam essa tese se agarram a pesquisas de opinião que colocam Lula na liderança inquestionável da corrida presidencial. Dada essa convicção, não se discute o fato de que Lula é imbatível, sim, mas no Nordeste, e muito fraco eleitoralmente no Sudeste e Sul.

Subestima-se, por outro lado, o efeito de onze anos de ataque sistemático a Lula e ao PT pela televisão e o resto da grade mídia. Esse é um fato curioso porque se supõe uma grande influência desses meios sobre o eleitorado, porém não um desgaste provocado por eles.

Em termos realistas, é perfeitamente plausível que Lula seja impedido de candidatar-se por algum caminho “legal”. Não somos uma democracia consolidada e ela está sujeita a múltiplas manobras por parte de uma classe dominante que não toleraria a volta de Lula.

Nesse sentido, é mais “econômico” tirar Lula da disputa do que impedir a realização de eleições no próximo ano. Naturalmente, é necessário que as eleições possam ser controladas. Isso depende de quem seriam os candidatos da situação e os da oposição.

É claro que, para milhares ou milhões de pessoas, Lula surgiria vitorioso como num passe de mágica, um salvador da pátria. Para a direita, por outro lado, isso significaria que todo o esforço despendido para depor Dilma teria sido inútil. Difícil acreditar na volta.

Imagino que uma “solução” intermediária. Seriam realizadas eleições, mas Lula seria impedido, por algum artificio, de sair candidato – se é que essa decisão não resultasse de vontade dele mesmo. O PSDB e o PMDB se encarregariam de viabilizar o candidato da direita.

As hipóteses, como se vê, são infinitas. Refletem a situação retratada matematicamente como caos. Há muitos agentes independentes interagindo entre si, longe um caminho determinístico. Apenas os ingênuos acham que o caminho está definido.

Há, porém, uma hipótese que conduz a uma solução determinística: a convulsão social e uma guerra civil. Isso deveria implicar uma intervenção militar. Mas também há dúvida. As Forças Armadas se manteriam unidas, preservando seu sentido de hierarquia e disciplina?

Num raciocínio simplista, pode-se argumentar que os militares tem mais dívidas em relação aos governos Lula que a qualquer outro governo. Contudo, há o fator ideológico, e o fato de existir uma articulação orgânica entre militares e as classes dominantes.

Enfim, temos elementos suficientes de dúvida quando avaliamos as possibilidades da eleição presidencial de 2018. Contudo, é mais seguro considerar que, em qualquer hipótese, elas se realizarão. Do contrário, o fato de serem eventualmente realizadas será apresentada pela direita como uma demonstração cabal de que estamos numa democracia.

Teoria da conspiração

Continuo tentado a ver coisas através da teoria da conspiração. É muito suspeito que procuradores e policiais federais tenham entrado em conluio com norte-americanos para liquidar a estrutura produtiva e de exportação brasileira de carne, favorecendo os concorrentes dos EUA e atingindo exportações brasileiras para a Rússia, que se encontra sob boicote americano. Agora sabemos, pela boca dos próprios procuradores, que são alimentados pelo aparato de informações norte-americanos. Será que são informações de boa fé?