9.3.17

SEMINÁRIO DA FENEPOSPETRO EMPODERA FRENTISTAS PARA LUTAR POR IGUALDADE E DIREITOS

Via FENEPOSPETRO -

Música, dança e informação marcaram o Dia Internacional da Mulher celebrado ontem(8), em Brasília, pelas frentistas que participaram do III Seminário Nacional das Dirigentes Sindicais dos Empregados em Postos de Combustíveis.


A arte liberta o corpo e o pensamento. É através dela que mundo se transforma e as pessoas aumentam a percepção para lutar contra o preconceito e por igualdade de direitos. Para sair da mesmice é preciso quebrar modelos e tomar a responsabilidade da vida. Para chamar a atenção sobre a importância da conscientização e do empoderamento da mulher, a secretária da mulher da Federação Nacional dos Frentistas(FENEPOSPETRO), Telma Cardia, inovou e inclui, dança e música aos debates do III Seminário Nacional das Dirigentes Sindicais dos Empregados em Postos de Combustíveis.

Com o tema “Desafios da Participação das Mulheres no Movimento Sindical”, o seminário, realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), em Brasília, abordou as questões do universo feminino e fomentou as discussões sobre a participação da mulher no movimento sindical.

CONSCIENTIZAÇÃO

Ao abrir os debates no segundo dia do seminário, com o comentário sobre o filme “As Sufragistas”, a socióloga Neusa Freire disse que no século XX, época onde se passa a história, a mulher não tinha direito nem de pensar, vivia como uma sombra do homem. Ela fez um esboço das mudanças política e social das mulheres nos últimos 200 anos. Segundo Neusa Freire, as primeiras manifestações das mulheres tiveram início no século XVIII, com a revolução francesa. As mulheres lutaram ao lado dos homens e a partir daí surge o questionamento sobre direitos e igualdades. Essas mudanças abriram espaços para as mulheres se organizarem e participarem efetivamente da política.

Mesmo no século XXI, as perseguições ainda são comuns, principalmente, contra as mulheres. Ao falar para as dirigentes das frentistas no Brasil, a presidente da União dos Trabalhadores do Comércio da Colômbia, Luz Marina Diaz, lembrou da luta dos sindicalistas em seu país para defender os direitos dos trabalhadores. Segundo ela, os sindicalistas foram perseguidos durante anos e comparados aos guerrilheiros das Farc. Ela denunciou o assassinato de 714 mulheres sindicalistas. A dura realidade, começou a mudar com a criação da União dos Trabalhadores, que hoje representa 795 sindicatos e mais de 80 mil trabalhadores colombianos. Ela espera que com o acordo de paz entre o governo e os guerrilheiros, o movimento sindical ganhe força e cresça na defesa dos direitos dos trabalhadores.

Para o professor político Erledes Elias da Silveira, quem não gosta de politica não gosta de viver. Ele disse que política é a luta pela dignidade da vida, por saúde, emprego e saneamento básico, por isso é preciso criar a consciência crítica nas pessoas. Segundo Erledes da Silveira, o conhecimento é o melhor caminho para a libertação do povo. Ele apresentou um breve histórico das mulheres que se destacaram na arte, na política e na sociedade brasileira.

O professor levou as participantes a fazer a uma viagem pela história político-econômica do país e cobrou das sindicalistas uma participação efetiva na luta por direitos. Erledes Elias afirmou que o movimento sindical precisa se mobilizar para derrubar a proposta da reforma da previdência, que é prejudicial a classe trabalhadora.

SAÚDE

A exposição ao benzeno e o risco do produto tóxico para as trabalhadoras de postos de combustíveis também foi tema de palestra ministrada pela médica do trabalho Daise Gardin, Ela citou que as
fontes de contaminação estão em todos os ambientes do posto de combustíveis. A médica disse que estudos comprovam que a exposição da mulher grávida ao benzeno pode afetar o feto, por isso é importante a realização de hemogramas semestrais para avaliar a saúde da frentista. “ É preciso realizar palestra específica para conscientizar a trabalhadora sobre os riscos. Não existe limite seguro para a exposição ao benzeno”.

Já a psiquiatra Sueli Cabral abordou a questão da dependência química entre as mulheres. De acordo com ela, o número de mulheres alcoólicas cresceu muito nos últimos anos. A médica afirmou que a sociedade costuma distorcer o conceito de dependência. Não é a quantidade de álcool ingerida que define se a pessoa é alcoólatra ou não, a dependência está ligada a alteração na vida social e laboral do indivíduo. Segundo Sueli Cabral, o álcool é o maior depressor do sistema nervoso. Para a frentista a relação com o álcool se torna mais perigosa porque o benzeno também ataca o fígado e isso pode comprometer ainda mais a saúde da trabalhadora.

CULTURA

As palestras foram intercaladas com música, dança e cinema. A dinâmica de grupo serviu para suavizar e harmonizar os trabalhos. Como numa grande roda, as sindicalistas aprenderam brincando como se empoderar, lutar e participar ativamente das ações políticas e sociais.

ENCERRAMENTO

No final do seminário, a advogada Maria Cristina Perez fez duras críticas a reforma da previdência encaminhada ao Congresso. Segundo ela, estudos comprovam que não há déficit na previdência. A advogada vai elaborar um documento com as reivindicações das frentistas que será encaminhado ao Congresso Nacional.

* Estefania de Castro, assessoria de imprensa Fenepospetro