11.4.17

1 - TRECHOS DE DEPOIMENTO DE ODEBRECHT VAZAM EM TEMPO REAL NO TWITTER; 2 - FILHO DE TEORI ACHA QUE, SE MORTE DO PAI FOI ACIDENTE, É UMA “COINCIDÊNCIA DIFÍCIL”

REDAÇÃO -


O empresário Marcelo Odebrecht, um dos principais nomes da Operação Lava Jato, prestou seu primeiro depoimento como delator ao juiz federal Sérgio Moro na tarde desta segunda-feira (10). Ele foi interrogado como testemunha de acusação no processo que tem como réu o ex-ministro Antônio Palocci e outras 13 pessoas. Além do herdeiro da empreiteira Odebrecht, Moro também interroga o ex-executivo da construtora Rogério Santos Araújo.

A audiência foi marcada por vazamentos que foram confirmados pelo advogado de Odebrecht, Nabor Bulhões, que concedeu breve entrevista após mais de duas horas e meia de depoimento na Justiça Federal do Paraná. Segundo Bulhões, o juiz Sérgio Moro chegou a interromper a audiência para verificar sobre os vazamentos. “Houve notícia de que alguém teria quebrado o sigilo do interrogatório e o magistrado Moro ficou de investigar”, afirmou Bulhões.

Segundo os vazamentos publicados no Twitter, Marcelo Odebrecht descreveu ao magistrado como funcionava a planilha de pagamentos de propina operada pelo setor especializado na empreiteira. Além disso, ele teria informado que avisou a ex-presidente Dilma Rousseff sobre o risco das investigações da Lava Jato chegarem até a conta do ex-marqueteiro João Santana.

Procurada, a assessoria de imprensa da Justiça Federal afirmou que não vai se pronunciar e que deve aguardar a consignação do juiz federal Sérgio Moro na ata da audiência.

As oitivas com testemunhas continuam na semana que vem. Na próxima terça-feira (18), serão ouvidos o casal de publicitário João Santana e Mônica Moura. O ex-ministro Antônio Palocci e o ex-assessor dele Branislav Kontic são os últimos réus interrogados. As audiências deles estão marcadas para o dia 19 de abril. (via Paraná Portal)

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Filho de Teori acha que, se morte do pai foi acidente, é uma “coincidência difícil”

O advogado Francisco Zavascki foi o entrevistado desta segunda-feira (10) no programa Conversa com Roseann Kennedy, da TV Brasil. Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, que morreu em um acidente aéreo em Angra dos Reis (RJ), ele é especialista em direito público e tributário. A entrevista é dada por Francisco às vésperas de completar três meses da morte do pai, em 19 de janeiro. O programa foi ao ar às 21h30.

Durante a conversa, o advogado demonstra equilíbrio ao lidar com o luto e com a espera pelo resultado das investigações sobre o acidente de avião que tirou a vida do pai: “Angustia bastante. Eu, sinceramente, não gostaria de receber uma notícia de que não foi acidente”.

Francisco Zavascki disse, pela primeira vez, que a preocupação dele não é com o atraso no julgamento das delações, e sim das outras ações da Lava Jato que Teori já vinha acompanhando há dois anos. “A verdade é que se foi acidente, uma coincidência difícil, são muitas coincidências em um evento só. Obviamente, levanta muitas suspeitas. Se tinha um momento para acontecer, seria o melhor momento para se ter algum atraso na Lava Jato”.

Francisco foi enfático ao falar do legado do pai. “As pessoas vão demorar a se dar conta do grande legado que o pai deixou, porque o grande legado não está escrito nos livros dele. Não está escrito nos votos dele. Tá demonstrado pelas condutas. Talvez vá demorar um tempo para se entender a forma como ele tratava a magistratura, uma missão mesmo. Ele demonstrava pela conduta de só falar nos autos, ser ponderado, procurar ter uma vida que se balizasse pelo trabalho. Um juiz de verdade, alguém recluso que cuidava dos processos nos processos”. (via EBC)