5.5.17

CAMPANHA PELA LIBERDADE DE RAFAEL BRAGA LEVA MULTIDÃO AO CENTRO DO RIO [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


No final da tarde desta quinta-feira, dia 4 de maio, manifestantes se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde deram início a um ato público pela libertação de Rafael Braga, preso portando uma garrafa de desinfetante em 2013.

O caso, emblemático, reflete a rotina de diversos procedimentos legais no país que vem continuamente superlotando presídios em decisões muitas vezes questionadas por juristas e pela sociedade.  De acordo com membros do movimento, não bastando a prisão injusta durante manifestações em 2013 por porte de desinfetantes comuns, houve também um flagrante “forjado” por policiais militares enquanto Rafael – então em condicional, utilizando tornozeleira eletrônica – se dirigia à padaria para comprar pães.

O que torna mais emblemático este caso são não apenas as circunstâncias altamente insuficientes para a prisão inicial ou o péssimo hábito de notório conhecimento popular dos “flagrantes forjados” por policiais militares, mas o encarceramento sistemático de pessoas que se encaixam no perfil “alvo” das forças policiais e judiciais – negro, pobre, morador da periferia.

Se este caso já parece estranho, há de se considerar que há uma imensa população encarcerada – que se encaixa no perfil descrito – que está literalmente esquecida nas penitenciárias, sem julgamento.

Esses fatores, somados ao altíssimo índice de assassinatos de pessoas que se encaixam no “perfil alvo” por policiais militares sob condições questionáveis – na maioria dos casos tendo como única evidência a palavra do policial que efetuou o disparo fatal – vem levando a população das periferias a uma revolta sem precedentes.  Há locais onde é difícil encontrar uma família que não tenha um caso a relatar de abuso de autoridade ou assassinato em circunstâncias abusivas.

Acrescente a esse cenário de extermínio e encarceramento em massa campanhas de ódio, preconceito e medo veiculadas por grupos mal intencionados e até mesmo racistas – geralmente associando jovens negros a atos criminosos – e temos a mais cruel e covarde campanha de extermínio racial da história humana, onde o genocídio é banalizado, tratado como defesa de um ataque sem provas ou evidências, disfarçado de “justiça” e servindo aos interesses de grupos que apenas desejam impor sua supremacia por meio do medo e da violência.

Infelizmente, não há solução possível nos meios jurídicos e/ou legais para esse genocídio contínuo, uma vez que tanto o legislativo como o judiciário em sua ampla maioria é composto por indivíduos oriundos das classes oligárquicas que implantam o terror e o medo em cada viela de cada canto da periferia do nosso país.

A luta de classes se faz inevitável, agora mais do que nunca é uma questão de sobrevivência.

LIBERTEM RAFAEL BRAGA!  TODO PRESO É UM PRESO POLÍTICO!