10.5.17

CHEGOU A GUERRA NO BRASIL. ÀS ARMAS CIDADÃOS!

Por PEDRO AUGUSTO PINHO -


Analisando a recente eleição para Presidente da França, as primeiras declarações e as medidas populares com que Macron e sua equipe pretendem manter os franceses adormecidos até às eleições legislativas, concluo: a guerra chegou ao Brasil.

Vamos ao início. Esta eleição na França tranquilizou o sistema financeiro internacional, a banca, como o chamo, em relação à Europa. Depois da desistência grega, das derrotas do Podemos e seus congêneres, apenas a França poderia inquietar os interesses deste capital, sem pátria nem endereço conhecido.

Colocado no poder um empregado dos Rotschild, com o suporte administrativo do Grupo Bilderberg, da Europa a banca não espera mais qualquer problema. Quem deverá tê-lo é a Federação Russa.

A guerra é, se nem sempre foi, um objetivo econômico. No caso do atual modelo capitalista, uma necessidade. Não produzindo riquezas, apenas se apossando dos ganhos de todos os demais segmentos econômicos, e promovendo a permanente concentração de renda, chega um momento que a população é um inconveniente para a banca. O melhor meio de reduzi-la, auferindo simultaneamente ganhos, é a guerra. Lá estão os infelizes afegãos, os líbios, os iraquianos, os sírios a testemunhar neste século. Lá estavam os bantus, os ashanti, os malês, os zulus e tantas outras etnias a comprovar no século XIX.

Penso que nossa identidade maior está no século XIX, o da expansão dos impérios europeus. O mesmo controle da banca, as mesmas farsas de mudanças em favor da civilização e, vejam só, com controle populacional. Observem estes números das estatísticas divulgadas pelo Atlas das Populações Mundiais (Colin McEvendy e Richard Jones): em 1800 éramos 900 milhões, em 1850, 1.250 milhões; em 1875, 1.325 milhões; em 1900, 1.625 milhões; em 2.000 atingíamos 6.100 milhões. Não parece estranho este salto no século XX. Tudo bem que não havia antibióticos e outros recursos médicos, mas, sem dúvida, a lenta progressão, no século XIX, se deveu também à ação destruidora dos impérios europeus ao redor do mundo.

Repetimos neste século XXI o XIX, com o retomado domínio da banca, que deste a I Guerra até 1950, aproximadamente, cedeu ao capitalismo industrial o controle das nações. Atente que mesmo os governos comunistas, da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e da República Popular da China, adotavam o princípio do capitalismo industrial: produzir. Isto não mais ocorre com o capitalismo financeiro da banca.

Em outros artigos, mesmo querendo estar errado, apontei a guerra como a sequência de ações da banca na América do Sul. E por que?

A Ásia e em especial o Oriente Médio, áreas populosas da Terra, já enfrentam conflagrações. Na periferia da Federação Russa há o incentivo ao nacionalismo (ironia da banca) para promover novas Ucrânias. A África sulsaariana tem cerca de 500 milhões de habitantes e não oferece oposição significativa ao domínio da banca. A América do Sul, embora com população similar a que apontamos para África, tem governos “bolivarianos”, ou seja, de inimigos da banca: Venezuela, Equador, Bolívia e, potencialmente, Argentina e Brasil, como ocorria antes dos golpes, com ou sem eleições. A guerra dará, na estratégia da banca, o controle, como obtido na Europa, e o bônus da redução populacional.

Assim se explica o inacreditável “pedido” do governo golpista para tropas dos Estados Unidos da América (EUA) ocuparem a Amazônia brasileira e o mutismo das Forças Armadas, domesticadas pela banca.

O tipo de reação é uma incógnita, mas a Globo e as comunicações de massa de maior penetração popular já estão preparando novelas, minisséries e entrevistas com “sumidades acadêmicas” que “explicarão direitinho para você” porque seu suicídio é uma atitude saudável.

Alexandre Herculano, historiador e romancista burguês, Alexis de Tocqueville, percuciente aristocrata francês, e tantos outros autores, nem marxistas nem petistas, colocaram em seus livros a triste realidade da falta de consciência: a autoflagelação, atacar o herói que morre em sua defesa e aplaudir o tirano que o oprime.

Se algum grande erro cometeram os Governos de Lula e Dilma, foi o de não dar a devida importância à formação da cidadania. Nos 12 anos que governaram, programas educacionais, de comunicação social, de participação formadora nas decisões de interesse comum, já, acredito firmemente, teriam dado algum fruto. Não se chore o leite derramado!

Desejo estar errado, mas, como no adágio latino, si vis pacem, para bellum.

* Enviado pelo autor para TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical.