17.5.17

DIRIGENTES DA CSB INICIAM CICLO DE DEBATES PARA AMPLIAR LUTA CONTRA AS “REFORMAS” NEOLIBERAIS [VÍDEO]

ILUSKA LOPES -

Ciro Gomes falou sobre 'o colapso do sistema produtivo brasileiro' na abertura do I Congresso Estadual CSB, no Hotel Vila Galé, Lapa (RJ).
Ontem (16), na capital fluminense, ocorreu a abertura do Congresso Estadual da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) da Seccional Rio de Janeiro. Autoridades e dirigentes falaram sobre a atual conjuntura brasileira e destacaram a importância da formação política e da mobilização das entidades sindicais contra o retrocesso dos direitos dos trabalhadores. Sob a bandeira dos ideais progressistas na luta pelos direitos trabalhistas, pelo desenvolvimento econômico e social, o evento reúne entidades e delegados sindicais de todo o estado, que discutirão até a próxima sexta-feira (19), temas como: a reforma trabalhista e da Previdência, além da consolidação da diretoria regional.

A palestra inaugural do evento foi proferida pelo ex-ministro Ciro Gomes, destacando a política de desenvolvimento nacional. O presidente da CSB, Antonio Neto, conclamou os dirigentes a se mobilizarem contra projetos que retiram conquistas históricas dos brasileiros.

Dia 28 de abril fizemos uma linda paralisação, mas parece que não foi suficiente, eles querem aprovar a toque de caixa, sem nenhum debate, estas reformas que são prejudiciais aos trabalhadores. No dia 24 vamos fazer outra mobilização, o “Ocupa Brasília”, para mostrar que somos contra esses projetos. Sabemos que na porta do Senado está uma barricada, não vamos conseguir chegar lá, mas vamos fazer muito barulho. Se for preciso, vamos acampar na porta dos senadores (...). Estou feliz em ver nosso Congresso Estadual; nosso compromisso é qualificar para o enfrentamento. Teremos palestras importantes que ajudarão a organizar e preparar a população, pois temos esta responsabilidade. Vamos fazer a diferença, pode até demorar, mas a paciência é a arma do revolucionário”, declarou Neto, ressaltando o compromisso da Central na qualificação dos dirigentes.

O lema da CSB, “Sindicatos fortes, Brasil mais justo”, foi lembrado pela vice-presidente da Central Lygia Sampaio, que pregou a união dos sindicatos. “O trabalhador precisa do sindicato, não vão conseguir acabar com eles. Precisamos nos unir, precisamos ajudar aquele sindicato menor. Se não defendermos nossos parceiros, quem fará isso?”, questionou a dirigente, que também é presidente do Sindicato dos Contabilistas do Município do Rio de Janeiro (SINDICONT-Rio). A presidente da Seccional do Rio de Janeiro e secretária de Saúde da CSB, Maria Bárbara da Costa, ressaltou em sua fala como o atual cenário é ideal para conscientizar as pessoas.

Ciro Gomes: O colapso do sistema produtivo brasileiro

O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, apresentou aos dirigentes as características estruturais que emperram o desenvolvimento econômico do País. Segundo o palestrante, “são 40 anos de juros altos no País” travando o desenvolvimento produtivo. “O Brasil pratica a maior taxa de juros do mundo. Se a taxa que o governo paga é mais alta que o lucro médio real, a economia para”, critica, reafirmando que o País “tem uma taxa de juros muito acima da média do lucro do campo, do comercio e da indústria”.

Ciro Gomes criticou também a falta de regulação do mercado e de um planejamento estratégico. “Nunca foi o mercado o responsável por resolver a questão do desenvolvimento de nação nenhuma”. Segundo ele, o desequilíbrio estrutural nas contas brasileiras com o mercado exterior é mais uma das causas do caos no desenvolvimento nacional. “O Brasil cometeu a estupidez de vender petróleo barato e comprar diesel caro, e tem hoje a mesma proporção na economia que tinha em 1910. Há um buraco de US$ 124 bilhões”, apontou sobre como o desequilíbrio no dólar afeta a vida da população que depende e usufrui dos serviços.

A falência nas contas públicas é mais um grande entrave ao crescimento da Nação. De acordo com o ex-ministro: “Se olharmos os estados que estão quebrados, vamos ter, somando tudo, 1,6% do PIB em investimento. O Brasil vai pagar esse ano 11% de juros para banco, e 1,6% para investir”, contestou.

Previdência

Durante as intervenções do plenário, o editor Daniel Mazola disse que o governo precisa retirar a máscara do falacioso “déficit” da Previdência, para enfrentar esse necessário debate de maneira honesta. Alertou que o governo Temer tem se omitido reiteradamente e não apresenta o orçamento da Seguridade Social como deveria. Lembrou que a simples existência do mecanismo da DRU já comprova que sobram recursos na Seguridade Social, se faltasse recurso, não haveria nada que desvincular, evidentemente. Ciro Gomes concordou plenamente, desdobrando o assunto e criticando a política econômica mais perversa da história brasileira, segundo ele.

Daniel Mazola / Fotos: TIS
Lembrou que os milhões de desempregados poderiam estar contribuindo para a Previdência Social, bem como os trabalhadores que hoje estão na informalidade. A solução não é concentrar a reforma da Previdência na retirada de direitos. “Não é perseguindo mulheres, trabalhadores rurais, pessoas idosas, professores, e preservando privilégios elitistas que vamos avançar (...). Porque 2% dos beneficiários da Previdência Social brasileira levam 40% do benefício arrecadado”, isso é vergonhoso, completou.

A construção de um projeto nacional precisa ser partilhada com o conjunto da sociedade, afirmou Ciro Gomes. É preciso “incorporar esse projeto na imaginação da liderança comunitária, acadêmica e da liderança política (...). Vamos lutar para restaurar a democracia e apostar que esse país tem tudo para resolver o seu problema”, concluiu, parabenizando a CSB pela trajetória e luta permanente, fortalecendo o movimento sindical. Por fim, convocou o sindicalismo brasileiro a restaurar sua vinculação com a causa dos trabalhadores a fim de negociar a agenda real da sociedade. (com informações da CSB)

Daniel Mazola e Antonio Neto, presidente nacional da CSB
***
Vídeo produzido pela CSB expõe a verdade sobre as reformas