16.5.17

DONOS DE POSTOS SE ANTECEDEM AS REFORMAS E TENTAM IMPOR REGRAS QUE AINDA NÃO FORAM APROVADAS NO CONGRESSO NACIONAL

Via FENEPOSPETRO -

Os ataques do governo contra a classe trabalhadora atrapalham as negociações salariais no país. No estado do Tocantins, região Norte do país, os dirigentes do Sindicato dos Frentistas lutam para manter direitos na Convenção Coletiva e sofrem pressão para implantar jornada de trabalho diferenciada e banco de horas, propostas defendidas na reforma trabalhista.


O próximo sábado (20), será decisivo para a negociação salarial dos sete mil trabalhadores de postos de combustíveis e lojas de conveniência do estado do Tocantins, no Norte do país. Para tentar resolver o impasse nas negociações, o Sindicato da categoria pretende desenvolver uma série de ações para fazer cumprir a Convenção Coletiva, que não especifica o trabalho nos dias de feriado.

A negociação dos frentistas do Tocantins, com data base em 1º de março, corre o risco de parar na Justiça do Trabalho. Além de oferecerem aumento abaixo do índice da inflação, os patrões querem colocar na Convenção Coletiva da categoria, cláusulas que antecipam artigos da reforma trabalhista, que ainda estão em discussão no Senado. Segundo o presidente do sindicato, Andreys Cesar, o sindicato patronal tentar impor a criação do banco de horas, proposta rejeitada pelos trabalhadores. Ele diz que para pressionar a categoria, os patrões se negam a negociar. Andreys Cesar diz, que diante do impasse, a saída é a instalação do dissídio coletivo.

Andreyes afirma que antes de recorrer à Justiça vai insistir em reabrir a negociação e conquistar aumento real nos salários dos frentistas, tendo em vista que algumas empresas começaram a fazer acordos individuais com o sindicato: - Assim como os patrões pressionam os trabalhadores, nós também temos o nosso mecanismo de defesa.

FERIADO

O teste de fogo acontece no sábado (20), feriado em Palmas, quando a capital do estado do Tocantins completa 28 anos de fundação. Como o trabalho em dias de feriados não consta na Convenção Coletiva, o sindicato poderá determinar o fechamento dos postos de combustíveis. Andreys Cesar diz que vai recorrer à Justiça do Trabalho para garantir o direito de não trabalhar no feriado municipal. A cidade de Palmas concentra o maior número de postos de combustíveis do Tocantins.

ACORDO INDIVIDUAIS

Para vencer a intransigência dos patrões, o Sindicato dos Frentistas do Tocantins está fechando acordos individuais com as empresas. Na semana passada, o sindicato conquistou para os trabalhadores da Rede Pratão aumento salarial de 9%. Até sexta-feira (19), a entidade deverá fechar mais cinco acordos, que vão garantir aumento de até 8% para frentistas de cinco redes de postos no Tocantins.

Esses acordos individuais, que garantem aumento real e benefícios para a categoria, mostram que a desculpa de crise econômica mascara a verdadeira intenção dos maus empresários, que é retirar direitos básicos dos trabalhadores. E, infelizmente, essa proposta nefasta foi plantada pelo próprio governo que tenta acabar com as Consolidações das Leis Trabalhistas.

CONQUISTAS

O Sindicato dos Frentistas do estado do Tocantins, fundando há 13 anos, já conquistou para os trabalhadores, vale-alimentação, Participação nos lucros e Resultados (PLR), horas extras de 60% e adicional de função caixa. Para 2017, o sindicato briga por reajuste salarial de 17%, vale-alimentação no valor de R$ 300,00 e um piso salarial de PLR.

Andreys diz que os patrões estão usando as reformas do governo para chantagear a classe trabalhadora. Segundo o presidente do Sindicato dos Frentistas do Tocantins, em todo o país, o patronal tenta impor propostas antes mesmo da reforma trabalhista virar lei. “Os trabalhadores de todas as categorias precisam se unir para combater esse abuso de poder”, completa.

* Estefania de Castro, assessoria de imprensa Fenepospetro