29.5.17

PETROLEIROS FORMALIZAM PEDIDO DE PUNIÇÃO DO PRESIDENTE DA PETROBRÁS

Via Agência Petroleira de Notícias -

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) formalizou pedido de suspensão do cargo do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, e do diretor de Relação com Investidores da empresa, Ivan Monteiro, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta sexta-feira (26/5).

Eles estão sendo denunciados por venda ilegal de ativos da companhia e por descumprirem as regras  exigidas pelo órgão regulador das vendas, levando em conta o interesse do mercado, no caso a CVM.

O pedido de suspensão dos dois diretores da empresa está relacionado a irregularidades na venda dos campos de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, e de Bauna, na Bacia de Santos. Pedro Parente e Ivan Monteiro  são acusados de “mentir e omitir dados fundamentais para o mercado, no processo de venda”.

O documento contendo as denúncias, assinado pela FNP e seus sindicatos, foi entregue à CVM, na Rua Sete de Setembro, no centro do Rio, às 14h desta sexta-feira, pela assessoria jurídica da FNP. Simultaneamente foi realizado um ato público, em frente ao prédio onde funciona a Comissão de Valores Mobiliários. A FNP espera que seja aberto um inquérito administrativo para apurar as irregularidades.

Um dos coordenadores da FNP, Adaedson Costa, revela que a direção da Petrobrás mentiu, quando disse que a empresa  Woodside Petroleum, apontada inicialmente como parceira da Karoon, teria desistido do negócio:

“A Woodside Petroleum jamais esteve no negócio, o que estamos comprovando com documentos junto à CVM, e a Karoon, sozinha, não preenchia os requisitos necessários para fazer a transação. Queremos saber se a CVM vai fazer o certo que é punir Parente e Monteiro e suspender a venda, feita posteriormente a uma empresa canadense. Nesses casos, a penalidade prevista é a suspensão dos envolvidos na fraude. Eles podem ficar impedidos de assumir cargos em empresas de capital aberto por até 20 anos”.

Em novembro do ano passado, o Sindicato dos Petroleiros de Alagoas/Sergipe (Sindipetro AL/SE) conseguiu uma liminar junto à Justiça Federal que suspendeu as vendas de campos de petróleo e de outros ativos da Petrobrás. Eles estavam e continuam sendo vendidos bem abaixo do valor de mercado e sem licitação. A suspeita de que poderiam existir favorecimentos foi considerada procedente.

Mas, em março, o  Tribunal de Contas da União (TCU) voltou a liberar a venda de ativos, mesmo admitindo risco de favorecimento a terceiros, embora com algumas recomendações, no sentido de que houvesse “mais transparência”. Adaedson Costa considerou a decisão “desastrosa e lamentável”.

Para estancar a sangria do patrimônio público, os petroleiros da FNP têm recorrido a atos públicos, protestos com atraso na entrada do expediente, idas constantes a Brasília, ao Senado e à Câmara, onde têm encontrado receptividade junto a representantes da oposição ao atual governo.

Os trabalhadores da Petrobrás têm denunciado, sem encontrar eco na imprensa, que a atual direção da Petrobrás está cometendo um crime inominável ao entregar o patrimônio da empresa estatal a valores muito abaixo do mercado, sem licitação, a empresas escolhidas por Pedro Parente, sem qualquer critério.

Participaram do ato de protesto, em frente à CMV, dirigentes e ativistas da Federação e dos sindicatos de petroleiros do Rio de Janeiro, Sergipe/Alagoas, Pará/Amazonas, São José dos Campos, Litoral Paulista, além da Aepet –Associação de Engenheiros da Petrobrás.