4.5.17

VITÓRIA DA GREVE GERAL: SEM VOTOS, TEMER ADIA REFORMA DA PREVIDÊNCIA; GOVERNO RECUA E ACEITA TRAMITAÇÃO MAIS LENTA DA REFORMA TRABALHISTA

REDAÇÃO -


Os 35 milhões de brasileiros que aderiram à greve geral da última sexta-feira, contra as reformas trabalhista e previdenciária, obtiveram uma vitória importantíssima; sem votos, a base de Michel Temer decidiu adiar indefinidamente a votação do relatório sobre a previdência no plenário – embora a votação ainda prossiga na comissão.

No último fim de semana, o instituto Datafolha revelou que 85% dos brasileiros querem a saída imediata de Temer, com a convocação de eleições diretas, e que sete em cada dez brasileiros são contra a reforma da previdência.

Temer chegou a usar a máquina pública, demitindo comissionados indicados por deputados infiéis, mas perdeu a batalha.

Sem as reformas, Temer perde completamente a utilidade para as forças golpistas. (via 247)

Abaixo, reportagem da Reuters, por Lisandra Paraguassu:

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto avalia que não tem votos suficientes para votar a reforma da Previdência no plenário da Câmara neste momento e decidiu esperar a aprovação da reforma trabalhista pelo Senado para só então tentar aprovar a Previdência, disseram à Reuters fontes palacianas.

O governo espera que a reforma trabalhista possa ser aprovada no Senado até o final deste mês, mas admite que o cronograma da Previdência vai atrasar e a votação final, também, no Senado, possa ficar apenas para o segundo semestre.

“O governo ainda não desistiu (de aprovar antes), mas já é uma possibilidade concreta”, disse uma das fontes.

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GOVERNO RECUA E ACEITA TRAMITAÇÃO MAIS LENTA DA REFORMA TRABALHISTA

Após articulação do líder do PMDB, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ofereceu à oposição um acordo em que a reforma trabalhista passaria por mais uma comissão, além das duas para as quais já está prevista; "Não podemos permitir que esse desmonte se faça no calendário que essa gente quer", comentou Renan mais cedo, após reunião com lideranças das centrais sindicais.

Representantes das entidades sindicais apontaram uma série de retrocessos no texto encaminhado ao Senado pelos deputados, criticando, por exemplo, a retirada da obrigatoriedade da contribuição sindical.

Ainda que o imposto das entidades patronais também esteja incluído no dispositivo, sindicalistas argumentam que a nova regra "desequilibra o jogo da negociação", porque o setor empresarial conta com outras fontes de renda.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, afirmou que até o fim da semana as centrais devem se reunir novamente para definir que ações serão tomadas e não descarta uma nova mobilização de greve como a ocorrida na última sexta-feira. (informações da ABr, Reuters e Agência Senado)