17.8.17

SEMPRE PRESENTE

RUMBA GABRIEL -


Reconhecemos as pessoas através de suas opções. A própria vida nos aponta para esta verdade absoluta. Nas alegrias e diversões principalmente se tiver grana, não faltam parceiros e “amigos para sempre”. Acontece que alegria e grana não duram muito tempo. Quando o dia amanhece percebe-se um vazio e ao chegar à noite com a sua escuridão, nos vemos sozinhos abandonados. É o momento em que a dor começa a ocupar esse espaço. Pior ainda é que gritamos e ninguém nos ouve. Isto pode até parecer um texto de novela melodramática, mas infelizmente não é.

Nas favelas, esta é a pura realidade. Aproximam-se as eleições, logo, toda a corte vem visitá-las. Chegam até a oferecer convites para os negros pobres favelados participarem de banquetes à mesa no palácio. Todos se sentem contemplados e começam a chamar de doutores. Iludidos eles acreditam. A Escola de Samba Unidos de Lucas fez um samba com esse enredo em 1968. Dizia assim: “iludidos com quinquilharia, o negro não sabia que era apenas sedução. Para serem armazenados e vendidos como escravos na mais cruel traição”.

Os políticos de hoje quase todos são descendentes desses senhores de engenhos, escravocratas, colonizadores os quais jamais pertenceram a nossa classe social. As quinquilharias que oferecem hoje são cestas básicas, bolsa-família, subemprego entre outras mazelas. Os favelados ficam felizes por isso e retribuem despejando seus votos nesses oportunistas corruptos. E lá, nas Bancadas com as simples canetadas retiram os poucos direitos adquiridos do povo. Somem, abandonam seus eleitores.

Por isso que chamamos as favelas de novos quilombos, porque nada mudou. O maior Quilombo Urbano do Rio de Janeiro – O Jacarezinho está sangrando outra vez. Os capitães do mato estão de volta. Os grilhões foram substituídos por algemas, os tumbeiros por camburões e rabecões. Todos os dias um corpo é sepultado, enquanto outros são levados para as prisões. Só se ouve gemidos, dores ranger dentes um flagelo.

Vem então a grande pergunta. Onde estão os doutores, os políticos, a corja toda? E a resposta é tão simples que não precisamos raciocinar. Estão nos condomínios, construídos pelos pobres, estão nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras Municipais no Congresso Nacional, nos quartéis, nas Igrejas, no judiciário. Só não estão nas favelas!

Por isso que é necessário raciocinar e observar bem que iremos encontrar um fio de luz no fim do túnel, o qual nos apontará não só quem vem lá, mas quem sempre esteve lá. Nas escolas públicas, nos movimentos sociais, nos presídios, enfim, nas favelas os novos Quilombos Urbanos. Este branco tem nome. Eu o conheço muito bem porque estive lá, onde filho chora e mãe não vê. Eu sempre estive aqui nas favelas. Eu nasci aqui. O nome deste branco que nunca nos abandonou é MARCELO FREIXO! Presente!

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