6.11.17

DELETAR

MIRANDA SÁ -

“Uma palavra nova é como uma semente fresca que se joga no terreno da discussão” (Ludwig Wittgenstein).


Dicionarizado, o verbete “verbo” é um substantivo masculino com sinonímia de “expressão” “discurso” “palavra” e “vocábulo”. Na semântica, é uma classe de palavras que representa ação, processo ou estado, e na sintaxe constitui a disposição do predicado nas sentenças.

Trocando em miúdos, o verbo registra os acontecimentos representados no tempo, como ação, estado, processo ou fenômeno. E é por isso que as frases e os períodos se desenvolvem em torno de um verbo, que se flexionam em número, pessoa, modo, tempo, aspecto e voz.

A linguagem falada e consequentemente a escrita vive em constante movimento, com uma terminologia que nasce, vive, engatinha, cresce, adoece (às vezes vai para a UTI) envelhece e morre. Foi assim que nasceu um novo verbo que ainda não chegou à pré-adolescência, “Deletar”.

Quase com as mesmas letras tem um parente, “Delatar”, já muito velho e usado através de gerações. Deletar é filho da Internet significando apagar, eliminar, suprimir em parte ou no todo de um texto, seja arquivo, desenho ou informação.

Agentes da chamada “nova mídia”, ativa nas redes sociais, usam a teclinha “Del” até em demasia e na simbologia do Twitter o delete está presente.

Antigamente não se empregava o deletar, mas era comum suprimir fatos, excluir ideias, desaparecer com fotos, exilar e até matar pessoas. Na descrição de um estado totalitário temos no livro “1984” de George Orwell, a bíblia da Democracia.

Ali está instituído um Ministério da Verdade, criado exclusivamente para distorcer os acontecimentos históricos, passados e presentes ao bel prazer dos dirigentes do partido único ocupante do poder, que é o sonho dos aprendizes de ditador dos nossos tempos.

A caricatura brasileira do centralismo fascista, o Partido dos Trabalhadores, tem como princípio a aplicação da mentira para ludibriar os incautos. Distorce a visão das utopias inerentes à formação da juventude, divide a sociedade em castas, confunde os gêneros e a opção sexual, elege parceiros e inimigos ao sabor dos interesses da hierarquia partidária.

Acaba de ser teclado o deletar das acusações de que o impeachment de Dilma foi um golpe, da palavra-de-ordem “Fora Temer” e o esquecimento dos xingamentos ao PMDB, partido que como aliado, indicou o candidato a vice-presidente da República na chapa lulopetista.

A falta de coerência é lucrativa eleitoralmente. Lula na excursão que fez no Nordeste se abraçou com Renan Calheiros e o filho deste, o governador das Alagoas; ambos têm interesse nesta parceria. Renan terá os votos do PT para o Senado e Lula os votos dos peemedebistas alagoanos…

Agora é oficial. O hierarca Luiz Marinho, alta autoridade petista, suspendeu a proibição das alianças estaduais com os partidos “golpistas”. É claro que com a sem vergonhice comum aos petistas, Dilma apoiará isto na maior cara de pau e o fanatismo dos cultuadores da personalidade de Lula fará o resto.

Me parece que no processo de faxina iniciada pela Lava Jato, com a primorosa atuação da PF, do MPF e de juízes federais, tem feito a cabeça de muita gente por que o repúdio aos corruptos já atinge mais de 90% dos brasileiros.

É por isso que o emprego do verbo deletar do lulopetismo na História Política recente não pega bem. Este vilipêndio torna-se repugnante para quem tem espírito patriótico, e indigno até mesmo para as pessoas com discernimento ainda ligadas ao PT e puxadinhos.