17.12.17

ESTRABISMO

MIRANDA SÁ -

“Ao contrário do que se diz, não é a ocasião que faz o roubo, o ladrão já nasce pronto” (Olavo Bilac).


É possível que vários entre nós sofra desse transtorno ótico ou comportamental. Do ponto de vista médico o Estrabismo é uma patologia oftalmológica que consiste no desalinhamento dos olhos. Este desvio do eixo visual de um ou dos olhos tem geralmente origem na infância, mas pode ocorrer também entre adultos.

Nos dias de hoje não é nada assustador, pode ser corrigido nos casos simples pelo uso de óculos e nos problemas maiores, pela cirurgia.

Quanto ao estrabismo comportamental, bastante comum na nossa realidade política, trata-se de um lance mais complicado. No mundo da psiquiatria e da psicologia vem se estudando a visão distorcida da realidade.

Em pesquisa atual realizada pelo Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, aponta-se que o cérebro de quem sofre desse mal falha ao diferenciar estímulos e é registrado entre as pessoas ansiosas mais factíveis ao estresse.

Antes, apareceu o diagnóstico de que a forma deformada de ver, pensar ou agir é um desdobramento da personalidade, ou seja, uma manifestação esquizofrênica. Como é bastante sabido, “Esquizofrenia” é uma palavra originária do grego antigo, “skizo” – dividir, separar, e “fren”, o pensamento.

Então, pelas duas versões experimentais, não se trata somente de uma questão comportamental. Se a gente faz um movimento nos olhos para fingir estrabismo por brincadeira, não corre o risco de se tornar estrábico; mas se se mostra deformado mentalmente na maneira de agir, não tem cura e geralmente leva ao crime.

Repetindo que o modo distorcido de encarar a realidade é comum na política brasileira, temos a sua repetição doentia nas ações e pronunciamentos de Lula da Silva. Dele, tivemos recentemente a presença em comício na cidade de Maricá, de prefeitura petista, falando a funcionários municipais uniformizados.

Afirmou que a política entrou num processo de destruição no Rio de Janeiro e acusou a Operação Lava Jato pela situação crítica do Estado. Defendeu explicitamente o bandidão condenado e preso Sérgio Cabral, dizendo que crê ainda que o ex-governador sofre perseguição política.

Além de corrupto, esquizofrênico, Lula não enxerga que Cabral é culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos dez casos em que o peemedebista é réu. E que ainda restam nove julgamentos.

Em paralelo, responsabilizando pelas mazelas do Estado as investigações feitas pela Polícia Federal e o Ministério Público no Rio, a enfermidade mental do Pelegão é aguda. Zarolho política e psicologicamente afirmou que “Não pode, por causa de meia dúzia que eles dizem que roubou, mas ainda não provaram, causar esse prejuízo”.

É um caso de internação, não hospitalar, mas em prisão comum. É imperdoável um indivíduo no exercício da política negar a roubalheira na Copa e nos Jogos Olímpicos, a não ser que tenha tido participação comunitária nela. Um caso típico de autodefesa.

O filósofo e enciclopedista francês Claude Adrien Helvétius no seu livro “Do Espírito” escreveu que “O interesse seria capaz de fazer negar as mais evidentes proposições da geometria e de fazer crer os contos religiosos mais absurdos“.

Lula, se defendendo, ainda se comporta melhor na sua loucura do que o seu bando de seguidores que são definidos pelo mesmo Helvétius: “Os homens são tão estúpidos que um crime repetido acaba por lhes parecer uma coisa normal”.