1.12.17

INDEPENDÊNCIA DA MACONHA

ANDRÉ BARROS -


A plantação de maconha no Brasil foi incentivada pela Coroa Portuguesa, desde o século XVII através de leis, com o objetivo de se confeccionar cordas e velas para as caravelas. No mesmo século, nos quilombos, os negros plantavam maconha para ser consumida em cachimbos feitos de palmeiras.

A primeira lei brasileira que criminalizou o plantio da maconha foi em 4 de novembro de 1964, ano do golpe militar. O ditador Castello Branco assinou a Lei nº 4451, a qual inseriu o verbo “plantar” no artigo 281 do Código Penal: foi a ditadura militar que primeiro criminalizou o cultivo de maconha no Brasil.

Hoje, na ditadura de mercado, na periferia do capitalismo mundial de raízes monarquistas e escravocratas, o Brasil proíbe a plantação de maconha. A Cannabis Sativa L. encabeça a lista “E” de plantas proscritas na Portaria 344 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Mas, na mesma lista, em dois adendos, a agência do governo federal autoriza a importação e o registro de remédios e suplementos alimentares da indústria farmacêutica internacional com duas substâncias presentes na planta da maconha: o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).

Qual a razão de criminalizar o cultivo de uma planta que produz as mesmas substâncias de remédios e suplementos alimentares caríssimos, importados e registrados? Medicamentos da indústria norte-americana, inglesa, alemã, e outras, chegam a custar em torno de mil reais. Por que existe tanta dificuldade em pesquisar a Cannabis no Brasil? Até mesmo a FIOCRUZ – fundação de excelência em pesquisa vinculada ao Ministério da Saúde – encontra barreiras para desenvolver estudos acerca da maconha.

Portanto, a legalização da maconha passa a ser uma questão de soberania nacional. Com tanta terra, sol e água, onde “tudo que se planta dá”, imaginem a potência e a ameaça que o Brasil, um gigante pela própria natureza, representa para o novo e pujante mercado mundial da maconha!

A maconha não é do Estado nem do mercado, ela é comum. Então, vamos dar o grito: PELA INDEPENDÊNCIA DA MACONHA NO BRASIL!