1.12.17

OPINIÃO DE COLUNISTA DA FOLHA CAUSA REPÚDIO E INDIGNAÇÃO

Via FENEPOSPETRO -


No texto intitulado: “O cobrador, o frentista e a produtividade”, publicado dia 29/11 pelo tradicional diário Folha de SP, o colunista Alexandre Shwartsman, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (UCLA) e ex-diretor do Banco Central, praticou o que se tornou lugar comum em um país onde prevalece o pensamento único e neoliberal. O cobrador de ônibus e o frentista precisam sim existir para o bem da economia, devem seguir produzindo e trabalhando, não apenas para garantir a dignidade mínima de seus familiares e a própria, mas também para que haja produtividade, ao contrário do que defende e afirma o doutor pela UCLA.

Caso não existissem trabalhadores Frentistas nos postos de combustíveis, teríamos praticamente uma população inteira contaminada por diversos agentes químicos, sendo o benzeno o pior deles, comparado inclusive ao amianto, altamente cancerígeno e proibido em quase todos os países, inclusive agora no Brasil. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia, e depois da Defesa, Aldo Rebelo, é um defensor da classe trabalhadora, sua importante iniciativa (Lei nº 9.956/2000 proibiu o funcionamento de bombas de serviço self-service em todo território nacional) garantiu que não houvesse a implantação do autosserviço em postos de combustíveis, e assim não fosse extinta uma categoria com aproximadamente 600 mil trabalhadores. Seria uma tragédia social, econômica e de saúde pública.

É saber corrente o fato de haver íntima correlação entre o desenvolvimento do capitalismo e a expansão da imprensa. O Projeto de Lei dos vereadores Reimont (PT) e Marcelo Arar (PTB) aprovado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro que acabou com a dupla função do motorista-cobrador nos ônibus cariocas devolveu um mínimo de dignidade aos profissionais rodoviários e certamente vai melhorar o serviço para os passageiros, ao contrário do que defende o colunista da Folha.

Imprensa tem lado, seja ela de mercado, sindical ou alternativa. Ao longo dos 200 anos de história do jornalismo brasileiro sempre tivemos jornais e revistas que não fazem parte do esquema das classes dominantes, diferentemente do jornalão paulistano e do colunista Alexandre Shuwartsman. A partir da ditadura civil-militar-empresarial apoiada pela CIA (1964-1985), com patrulhamento ideológico permanente nos grandes jornais, censura, perseguição e mortes, surgiu um tipo de pensamento único, e se consolidou o jornalismo “chapa branca”, pautado pela versão dos vitoriosos, e do sistema capitalista, sedento por precarizar o trabalho e programar “reformas” como as de agora.

Empurraram goela abaixo dos trabalhadores essa contra reforma trabalhista, sem debates, porque será? Será porque temos uma população politizada e conscientizada ou porque somos moldados à imagem e semelhança dos dominadores. Precisamos estar atentos para o mau uso dessa ferramenta chamada comunicação e jornalismo. A sociedade precisa de imprensa crítica, que expõe e debate as mazelas do sistema capitalista. Só assim iremos elevar o nível da consciência sobre a realidade e construiremos um verdadeiro projeto de nação.

O presidente Eusébio Pinto Neto, e demais diretores da Federação Nacional dos Frentistas (FENEPOSPETRO) repudiam veementemente essa postura anti-trabalhador e prejudicial ao conjunto da sociedade. Com a palavra a Folha de São Paulo e o senhor Alexandre Shwartsman.

* Daniel Mazola, assessoria de imprensa FENEPOSPETRO