30.1.18

BRASIL PÓS-IMPEACHMENT - SEM MÉRITO - FERIDO PELA MISÉRIA EXTREMA DA SUA GENTE

ANDRÉ MOREAU -


É só ter olhos para enxergar, ouvidos para ouvir, que qualquer cidadão de boa fé, pode ver o tamanho do estrago decorrente da divisão do produto do roubo que vem sendo feito no Brasil - pós-golpe de estado. O quadro pode ser visto principalmente a noite, transitando por avenidas do centro das principais cidades. Quem for mais curioso e procurar saber porque aquelas pessoas se tornaram sem-teto, ficará surpreso com as nuances desse retrocesso.

Parte dessas pessoas residiam nas periferias, antes de serem desempregadas como, por exemplo, os operários navais empurrados para a rua, em decorrência do acirramento da crise, induzida através da narrativa de ódio que objetivava derrubar a Presidenta Dilma Rousseff, elaborada por editores das Organizações Globo.

Algumas dessas pessoas ainda se encontram enfermas da febre verde/amarela gerada pela narrativa anti-nacionalista, que para satisfizer todos os setores ligados ao plano vende-pátria, além da propaganda anti-corrupção, incluiu no roteiro a guerra ao tráfico, visando fortalecer o núcleo duro de setores da segurança pública e das forças armadas.

Por razões de mercado que nem o mercado sabe explicar quais são, proprietários de grandes estaleiros se convenceram diante da propaganda/denúncia que a responsabilidade por todos os males da humanidade, no Brasil, foi da Mandatária e que, depois da sua derrubada, em no máximo uma semana, o país voltaria a ter o crédito do mercado e conseqüentemente, a criar empregos.

Foram então promovidas demissões em massa nos estaleiros. E por ironia do destino, hoje esses empresários se encontram a beira da falência, amargando o preço por terem apoiado o golpe: o governo ilegítimo passou a encomendar navios e plataformas no exterior, em detrimento da indústria nacional e da especialização dos trabalhadores brasileiros.

E os articulistas de O Globo que não andam pelas ruas, insistem em conspirar contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como se ele fosse um “conspirador do medo” que “bota gente na rua e se oferece como pacificador”, fingindo que a condenação de Lula teve por base uma sentença calcada em provas irrefutáveis.

Assim agiram Irineu Marinho e Jean Manzon a partir de 1962, para derrubar Jango.  Produziram vinte e quatro filmes e propagandas através do departamento de propaganda e cinema do IPES - Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais, comandado pelo Tenente-Coronel Gobery do Couto e Silva, na preparação do golpe de 1º de abril de 1964.

Os filhos dos que promoviam marchas em defesa da família e da propriedade, que tinham posições contrárias a campanha anti-comunista, eram mandados ao exterior, como forma de proteção. Afinal ter em casa um defensor de “comedores de criancinhas”, além de ser uma vergonha, era um perigo.

Diante dessa realidade, o trabalhador não suporta mais panos quentes. Eles estão atentos as denúncias feitas todos os dias por líderes trabalhistas e intelectuais brasileiros e estrangeiros, sobre o que há por trás da narrativa “anti-corrupção” que vem empurrando a nossa gente para o estágio da miséria extrema: o plano de transformar o Brasil em uma colônia abastecedora de alimentos, riquezas naturais e mão de obra escrava. Tudo para o bem estar do colonizador.

* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.