18.2.18

INDIO

MIRANDA SÁ -

Precisamos usar nossa flecha da sabedoria com o arco da esperança e reconquistarmos o que éramos… (India Anara)


Mal encerradas as festividades carnavalescas, senti-me obrigado a escrever este artigo, por duas razões especiais. Há uma infinidade delas, para nós que somos – pelo menos a maioria dos brasileiros – orgulhosos descendentes dos indígenas que os descobridores encontraram aqui.

Sob a minha lupa – que aumenta consideravelmente os fatos sociais – vi a primeira razão com revolta, quando um idiota, dito “aculturado”, investiu contra o uso como fantasia, no carnaval, da indumentária e apetrechos silvícolas presentes na nossa memória.

Com exceções respeitáveis não é incomum assistirmos em demonstrações reivindicatórias e até políticas, manifestantes tribais de calça blue jeans, com relógios de marca e falando ao Iphone.

E nos serviços públicos, e nas universidades, encontramos representantes de várias etnias brasílicas. Não são poucos os colaboradores de pastorais católicas e missões pastorais evangélicas. Para mim, isto é bom; não sei se o é para a turma do “politicamente correto”…

Temos também conhecimento de que em certas reservas indígenas paga-se pedágio para transitar, propinas na exploração de garimpos e o desmatamento predador para o comércio de madeiras de lei.

Tais contravenções se chocam com o brio heroico de um descendente indígena, o marechal Cândido Rondon, que desbravou os sertões brasileiros levando linhas telegráficas pela Amazônia até então inexplorada; e de Nunes Pereira, também indígena, antropólogo, etnólogo e ictiólogo renomado no mundo inteiro. E o mais perfeito dicionário de língua tupi é do indigenista Gonçalves Dias.

Do poeta maranhense da saudade, por demais reverenciado, não é preciso nos estender. Os livros de Nunes Pereira, falam por si. Quanto ao marechal Rondon, cumpre-nos registrar que levou 40 anos explorando o sertão brasileiro, por mais de 100 mil quilômetros, equivalentes a 2,5 voltas ao redor da Terra. Entre seus títulos, destacam-se a candidatura ao Prêmio Nobel, e o de ser chamado pelos indígenas como “Grande Chefe”.

Destas personalidades, destoa o proibidor das fantasias de índio no carnaval, almejando os 15 minutos de fama. Ele não conhece sequer a história do seu povo ao querer silenciar o maracá e os tambores populares, negando a herança que temos das festividades alegres, com ruidosas danças coletivas dos corpos pintados, dos cocares multicoloridos, dos colares e das pulseiras…

Certamente influenciado pelas mentes perversas de uma ideologia distorcida, o patrulheiro desconhece a divisão social das nações pré-cabralianas, com seus nobres, soldados e escravos, e, tampouco lembra que seus ancestrais eram antropófagos…

Formado na escola do “politicamente correto”, o ignorante neo-censor comete o mesmo erro daqueles que cobram a dívida dos brasileiros pela escravidão negra, omitindo que os grandes traficantes de escravos eram os próprios negros, intermediados por britânicos, espanhóis e portugueses.

Por falta de cuidados ou desatenção, indígenas “aculturados” são capazes de adorar Tupã, que os jesuítas impuseram como “um deus único” do povo brasílico…  Esta farsa em busca de conversões foi desmentida por J.F. Monterroyo Mascarenhas no seu livro “Os Orizes Conquistados”; para ele, religião indígena era antropomórfica.

Caetés, Guaicurus e Tamoios com suas subdivisões, adoravam a coruja como deus, pelos benefícios que recebiam desta ave sagrada, inimiga das cobras que lhes tirava a vida.

Antiga deidade das selvas, a coruja é vista hoje como mau agouro, quando na verdade, o mau agouro está na doutrinação fraudulenta de alguns professores que seguem a doutrina apedeuta narcopopulista do “quanto pior melhor”.

Os doutrinadores lulopetistas, para roubar mais, pensam em fazer o que Renato Russo alertou: “O Brasil vai ficar rico quando vender todas as almas dos nossos índios em um leilão”.