16.3.18

O TÚMULO DA VEREADORA MARIELLE FRANCO GUARDA OS CHOQUES APLICADOS PARA CALAR O POVO

ANDRÉ MOREAU -


A Vereadora do Psol, Marielle Franco, 38 anos, foi executada no Estácio (14), a menos de um mês da intervenção militar. O crime chocou o Povo brasileiro que perdeu mais uma das suas vozes por Direitos Humanos, no Rio de Janeiro. O crime indica o grau de ousadia dos integrantes da “operação de mudança do sistema de governo”, em curso no País. Nada foi levado do carro.

A dinâmica da execução, de acordo com a perícia, indica precisão nos disparos dos oito tiros com pistolas calibre 9 mm - armas de precisão. Pela quantidade de disparos feitos a cerca de 7 metros de um carro em movimento e o número de projéteis que perfuraram a cabeça de Marielle - quatro -, se pode constatar que o crime foi praticado por atiradores experientes, que agiram com gana na ação criminosa.

Marielle, a quinta vereadora mais bem votada nas últimas eleições, vinha fazendo sérias denúncias sobre a atuação de agentes do 41º Batalhão de Polícia Militar, na favela da Maré. Foi Presidenta da Comissão de Defesa das Mulheres, além de atuar como relatora da Comissão de Representação criada para acompanhar a intervenção na área da segurança pública do Rio, na Câmara dos Vereadores do Município. Babá é o seu suplente.

A função exercida pela vereadora Marielle, lembra o trabalho da Juíza Patrícia Acioli (1964-2011), que por combater crimes praticados por policiais, também foi brutalmente executada.

Para a medicina legal o cadáver fala, resta saber se o corpo não será calado. Trata-se de uma execução com manchas de ódio que relacionam o crime a narrativa de mudança do regime de governo deflagrada em 2013, para derrubar a Presidenta Dilma Rousseff, que anuncia com essa execução, o grau dos choques que deverão atingir a todos os representantes do Povo que lutam por direitos humanos.

Quem não reflete sobre o citado contexto que passa pelo golpe de estado e se diz de esquerda, não merece ser mantido no parlamento, porque esse crime atinge todas as pessoas que lutaram pela redemocratização do Brasil. Marielle foi a primeira parlamentar assassinada.

A assessora de imprensa sobreviveu, mas Anderson Pedro Gomes, o motorista, estava na linha de fogo dos atiradores e foi atingido como a vereadora, só que pelas costas.

De acordo com o novo relatório da Anistia Internacional, o Brasil em 2017, liderou o número de assassinatos de diversos grupos de pessoas: jornalistas, jovens negros do sexo masculino, pessoas LGBTI, defensoras e defensores de direitos humanos, grupos ligados à defesa da terra, populações tradicionais e policiais.

Em 2016, o País atingiu a marca de mais de 61 mil homicídios. A maioria dos assassinatos registrados ocorreram no Brasil. Apenas nos nove primeiros meses de 2017, 62 defensores foram assassinados, de acordo com registros da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a maioria dos cidadãos foram mortos em conflitos de terra e na luta por recursos naturais.

Entre o dia 1º de janeiro e 20 de setembro do último ano, o Grupo Gay da Bahia registrou 277 pessoas LGBTI assassinadas no país, o maior número desde o início da compilação dos dados, em 1980.

A população carcerária chegou a casa de 727.000 pessoas presas. Mais de 60% dos internos são negros e 40% (cerca de 290.000) se encontra presa preventivamente.

A radiografia desse quadro de perversidades revela que a população mais pobre vem sendo arrastada por retrocessos sociais, para o estágio da miséria extrema.

*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.