2.4.18

NA CARAVANA COM LULA*

Por PAULO METRI -


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Vivemos em um mundo virtual em que a maioria dos jornais, revistas, rádios e televisões distorce os fatos, conta-nos inverdades, enfim “rouba” a nossa percepção do real. Sabemos que escondem algo, mas não fazemos nada.

Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

À medida que passamos a estar mais conscientes do real, eles armam um script e depõem quem se dedica aos mais carentes. Criticam o defeito físico do opositor, buscam humilhá-lo pela sua baixa escolaridade, salientam seus erros de linguagem e imputam ao líder roubos, idênticos aos que eles praticam. Não respeitam a morte da companheira do opositor, desejando que ele se junte a ela brevemente. Ele perde a oportunidade de denunciar esta mídia, mãe de todos os males, com medo.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Um dia, descobrimos que qualquer um de nós, assim como o líder, pode ser alvo de uma bala não perdida e, sim, endereçada para nós. Descobrimos que dedicam muito ódio a nós, que “roubamos” algo de valor para eles, que não é renda, nem riqueza. “Roubamos” o prazer de verem classes de menor renda oprimidas, “roubamos” a alegria de se sentirem superiores a outros, sem se importarem com o quanto sofrem os desafortunados, enfim, “roubamos” seu prazer sádico. Nas redes sociais, o ódio cresce e incentiva agressões. Por isso, querem matar o líder. Este, finalmente, descobre a fábrica de ódio e a denuncia, a mídia apoiadora da opressão de classes e pregadora da resignação dos oprimidos. Mídia indutora do fascismo! Vamos reagir para não termos a garganta cortada.

* De Eduardo Alves da Costa, autor de “No caminho com Maiakóvski”/ Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e vice-presidente do CREA-RJ.