7.4.18

O ASSASSINATO DAS LIDERANÇAS POPULARES NO BRASIL-COLÔMBIA

ANDRÉ DE PAULA -


O Brasil virou Colômbia. As instituições estão absolutamente desmoralizadas. Executivo dirigido por um golpista corrupto, com o mais baixo índice de aprovação de todos os tempos, subordinado às Forças Armadas que dão declarações pregando a volta da Ditadura Militar e realizando uma intervenção no Rio de Janeiro, nos bairros pobres, deixando a soberania ir para o ralo, como teste para aplicar no Brasil, já que a violência encontra-se generalizada. As Forças Armadas em nada se posicionaram na entrega do nosso Petróleo, de mão beijada, da nossa água, das florestas, do nióbio, enfim, de nossa soberania.

Pretende, ainda, o Executivo, caso consiga mudar sua imagem, aprovar a Reforma da Previdência que será, na verdade, a volta, definitiva, à escravidão moderna. O Poder Judiciário, absolutamente, desmoralizado, cheio de mordomias, decidindo de acordo com os interesses da Casa Grande e da Casa Branca, sem nenhum controle externo, e tendo um Legislativo, absolutamente controlado pelo Capital, tornando nossas eleições uma das farsas mais grotescas do mundo.

Na verdade, o país é controlado, em grande parte, pelo tráfico de drogas, milícia, polícia corrupta com um impressionante número de lideranças populares eliminadas demonstrando que os assassinatos da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, não é um caso isolado. São trinta as lideranças assassinadas no Brasil em curto espaço de tempo, entre 16/02/2016 até hoje, podemos mencionar:

Paulo Sérgio Almeida Nascimento 13/03/2018 – Líder comunitário no Pará;
Márcio Oliveira Matos, 26/01/2018 – Líder do MST na Bahia;
Leandro Altenir Ribeiro Ribas, 19/01/2018 – Líder Comunitário no RS;
Jefferson Marcelo, 04/01/2018, Líder comunitário no RJ;
Carlos Antônio dos Santos, 08/02/2018 – Líder movimento agrário Mato Grosso;
José Raimundo da Mota de Souza Júnior 13/07/2017 – Líder quilombola/MST Bahia;
Eraldo Lima Costa e Silva, 20/06/2017 – Líder MST Recife – assassinado;
George de Andrade Lima Rodrigues, 23/02/2018 – Líder comunitário Recife;
Luís César Santiago da Silva, 15/04/2017 – Líder sindical Ceará;
José Bernardo da Silva, 27/04/2016 – Líder do MST Pernambuco;
Paulo Sérgio Santos, 08/07/2014 – Líder quilombola na Bahia;
Rosenildo Pereira de Almeida (Negão), 08/07/2017 – Líder comunitário/MST;
Jair Cleber dos Santos, 24/09/2017 – Líder movimento agrário Pará;
Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, 01/09/2015 – Líder indígena Mato Grosso;
Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, 19/09/2017 – Líder quilombola Bahia;
Valdenir Juventino Izidoro, (lobo), 04/06/2017 – Líder camponês Rondônia;
Almir Silva dos Santos, 08/07/2016 – Líder comunitário no Maranhão;
José Conceição Pereira, 14/04/2016 – Líder comunitário Maranhão;
Waldomiro costa Pereira, 20/03/2017 – Líder MST Pará;
Valdemir Resplandes, 09/01/2018 – Líder MST Pará;
Clodoaldo dos Santos, 15/12/2017 – Coordenador SOS Emprego Sergipe;
João Natalício Xukuru-Kariri, 19/10/2016 – Líder indígena Alagoas;
Edmilson Alves da Silva, 16/02/2016 – Líder comunitário Alagoas;

Somente nos três primeiros meses do ano de 2018,  cento e cinquenta pessoas no Estado do Rio de Janeiro foram assassinadas, entre elas, 28 policiais sob a motivação de guerra às drogas, tendo a maioria entre 16 e vinte anos, sendo negros, pobres e favelados.

A prisão política volta à tona com a criminosa condenação do Almirante Othon, a mando dos Estados Unidos ,por tentar construir um submarino atômico para a nossa defesa e o encarceramento do padre Amaro de Anapu, no Pará, por lutar pela defesa  da Amazônia e a Reforma Agrária. Isso sem falar na ordem de encarceramento do ex-presidente Lula antes de esgotados todos os recursos jurídicos previstos o que viola frontalmente o ordenamento jurídico de nosso país.

Para mudar esta situação, temos que acabar com os privilégios das elites, a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas feitos pelos grandes capitalistas. Urge uma tomada das ruas, preparando uma Greve Geral para exigir uma constituinte além dos partidos, com representantes do movimentos populares e sindicais organizados para a completa reforma de nossas instituições falidas.

* André de Paula é advogado da FIST-Frente Internacionalista dos Sem Teto e membro da Anistia Internacional