7.6.18

GOVERNO TEMER CONFIRMA SUBSERVIÊNCIA AOS EUA NA OEA

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Uma pergunta que deve ser feita ao governo de Michel Temer: que moral tem o grupo que ocupa indevidamente o Palácio do Planalto para aprovar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a expulsão da Venezuela da entidade? Temer, na palavra do Ministro do Exterior, Aloysio Nunes Ferreira, que não passa de um subserviente aos interesses de Washington, se posiciona, juntamente com o Departamento de Estado norte-americano e outros governos capachos de Donald Trump, pela punição de um país cujo governo não se submete ao capital internacional e não aceita que o petróleo esteja sobre o domínio do Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que Nunes Ferreira confirma sua faceta de sabujo de Washington aparece no site da revista Foreign Policy, uma publicação que se ocupa de relações internacionais, artigo com o título “É hora de um golpe na Venezuela”, assinado pelo ex-assistente administrativo interino para a América Latina da Agência dos Estados Unidos, José R. Cárdenas para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Ele ocupava o cargo no governo de George W. Bush e hoje sua opinião é seguida, sem nenhum tipo de objeção por governos como o de Michel Temer e outros da mesma laia golpista como o de Honduras ou do tal grupo de Lima.

Não é de hoje que a OEA é conhecida como uma organização da colônias, pois de um modo geral os governos dos países integrantes seguem a orientação dos mais diversos governos estadunidenses. Foi assim quando a OEA, claro, com o apoio do governo golpista brasileiro de 1964, ordenou a expulsão de Cuba, que não seguia as ordens do governo dos EUA.

E neste momento, tendo com Secretário Geral, Luis Almagro, uma figura carimbada, a OEA tenta fazer o mesmo com a Venezuela. E o Brasil, agora sob um governo que assumiu por meio de um golpe parlamentar, midiático e judicial, ou seja, embora sem os tanques nas ruas, segue o mesmo caminho de submissão ao interesses norte-americanos, que não se conforma em não ter o domínio do petróleo venezuelano. Mas, através de facilidades do governo Temer ao domínio estrangeiro do pré-sal e fazendo o possível para privatizar a Petrobras, os golpistas, que no exterior têm como representante Aloysio Nunes Ferreira, se desdobram para servir ao capital internacional, com ênfase ao norte-americano.

E para dourar pílula da subserviência, Nunes Ferreira conta com o apoio e a divulgação pela mídia comercial, sem restrições, de suas falas que envergonham o Brasil. Mas e preciso insistir na lembrança que se trata de um governo , além de ilegítimo, totalmente repudiado pela opinião pública, como indicam as mais recentes pesquisas de opinião pública. E tem mais um agravante, ou seja, trata-se de um governo que na prática não tem mais condições de completar o mandato e vai se arrastando, para desgraça do povo brasileiro.

Em tempo, a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministra Carmen Lúcia, teve de voltar atrás e retirar da pauta da instância máxima da Justiça brasileira a questão do Parlamentarismo, que os golpistas querem que seja aprovado sem a decisão dos eleitores, que já rejeitaram em 1963 e 1993 esse regime. Mas isso não quer dizer que os golpistas desistiram de retirar dos eleitores a decisão de o próximo Presidente ser escolhido pelo voto e não por uma manobra judicial ou parlamentar. Carmen Lúcia acabou tendo de voltar atrás porque estava pegando muito mal, mas tudo pode acontecer daqui para frente. Por isso, todo cuidado é pouco, porque o que está em jogo é o julgamento de tudo o que foi feito pelo governo Temer nos últimos dois anos.E também o julgamento sobre o comportamento vergonhoso do governo brasileiro em votações na OEA e em outros organismos internacionais.

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* Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, jornalabi.blogspot.com arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.