10.7.18

NÃO HÁ SAÍDA INSTITUCIONAL

Por CASEMIRO REIS - Atualizado às 12h42 -

Não tem saída institucional. Ou o povo vai pra rua aos milhões ou haverá mal e mais retrocesso.

Casemiro e Lula / fonte: Facebook.
Não existe a menor possibilidade de uma reversão institucional, pois já não vivemos, desde 2016 com a destituição da Constituição Federal, um estado de direito. Todas as possíveis saídas institucionais tiveram suas portas trancadas pelo aparato Jurídico-Midiático. Quando a constituição não é respeitada e seu desrespeito tem a participação ativa do STF é sinal que todo o ordenamento jurídico está corrompido e por isso comprometido com a farsa.

O Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), o Sr Luiz Fux e a Sra. Carmen Lúcia, devem servil vassalagem aos golpistas, estão nas mãos do mercado e do Moro. Não devemos abandonar a luta institucional, mas acreditar que será possível reverter o golpe e reestabelecer a democracia burguesa / republicana é acreditar em duendes, ela pode servir de estímulo e acúmulo para a luta popular. Sim, o acúmulo de forças se faz também pela luta institucional mas só uma rebelião popular poderá impor limites ao mercado financeiro, o mercador da morte.

Cabe à luta institucional fomentar e servir a essa rebelião. O golpe não consegue apresentar uma candidatura minimamente competitiva, agonizam no campo democrático e tramam e efetuam o aprofundamento do estado de exceção. Nenhuma candidatura vitoriosa nas urnas será aceita se não for chancelada pelo mercado. Portanto terá que ser garantida por uma vigorosa mobilização popular. É preciso parar o Brasil, construir a greve geral através da unidade da esquerda.

Nossa “Zelite” putrefeita aplaude de pé fascistas confessos, fazem apologia à barbárie em plena luz do dia, vaiam propostas moderadas e execram qualquer tentativa de melhoria nas condições de vida dos trabalhadores. Degradam o meio ambiente, destroem as relações humanas de compaixão, fraternidade e solidariedade, proliferam o ódio e a infelicidade, assim como as cruzadas queimavam os supostos adversários da Igreja, o Mercado elimina os direitos sociais e aquele que os defenda. Ainda por cima faz você pensar que a culpa é sua, você que não se esforçou o bastante, você quem errou. Incrível a dominação, a captura e deformação da realidade. Vivemos a era da realidade virtual.

O Capitalismo é um sistema virtual, tenta e até consegue fazer o escravizado adorar a escravidão, fazer do dominado a imagem e semelhança do dominador. Ilude as massas com uma democracia virtual. Tudo no capitalismo é virtual, exceto a concentração de renda em poucos bolsos e o enorme fosso social que os separam daqueles que geram essa renda. Os que se apropriam da renda gerada não permitem que quem gera a renda tenha nada além do mínimo necessário para subsistir e se reproduzir. Dominam completamente o Estado, assaltam os cofres públicos como se fossem deles. Criminalizam qualquer direito social e endeusam seus lucros pornográficos. Não existem mais direitos pétreos para humanidade, já não existe mais democracia, já não existem mais teorias ou crenças, só existe o “mercado”, a escravidão.

A violência e o despudor do “mercado” não serão vencidos pela via institucional se não vier acompanhado de uma gigantesca mobilização popular. Cabe à esquerda se unir e mobilizar as massas para o inevitável enfrentamento. Como diz o MST: “a Luta é pra Valer.” 

*Casemiro Reis, é médico, militante socialista e sindicalista. Estudou Ginecologia Obstetrícia na UNICAMP, está  presidente do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed), além de presidir o Partido dos Trabalhadores (PT) no município de Campinas/SP.

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