7.8.18

SEM EMPREGO E SEM VOTO O PAÍS PATINA NA INÉRCIA

ROBERTO M. PINHO -


O homem público não só perdeu a vergonha, mas também o receio de ser processado por práticas lesivas no exercício do cargo.

Agora, estamos assistindo uma das mais insólitas e ousadas formas de exploração do cidadão - o segurado de plano privado de saúde, que por pouco não teria sido engessado com seu contrato numa extorsão sem precedente a luz do direito do consumidor e do próprio estado republicano e constitucional.

O país atingiu o meteórico patamar de 14 milhões de desempregados. Na metamorfose que envolve tamanha lacuna social, estão os que estão com empregos garantidos, atores estáveis, com rara exceção, intocáveis e arrogantes. São milhões de servidores públicos que povoam o país, em 5.673 cidades, num total de 4,7 milhões de pessoas.

No Rio de Janeiro, a máquina pública estadual emprega 490 mil estáveis. Eles estão dentro e fora dos locais de trabalho, ou seja: boa parte recebe sem trabalhar. Os federais extrapolam, são 2.039.449 servidores. 60% na ociosidade, em funções desviadas ou em casa, esperando o contra cheque robusto do mês. Neste grupo se salvam apenas os agentes federais.

Os partidos e candidatos que são a favor deste debilitado processo estatal, deveriam cometer genocídio político. No Japão quando o cidadão comete ato vergonhoso, pratica o haraquiri, meio milenar de ceifa a própria vida, para não envergonhar a família.

Os samurais não existem no Brasil, menos ainda entre os que sugam, mamam e sangram as tetas da União, abocanhando 93% do seu orçamento. Nos estados e municípios existe caso em que a folha ultrapassa o orçamento. Isso perdura há anos.

A OECD – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico publicou um estudo com os países que mais possuem servidores públicos no mundo, o número é sobre da população total.

O Brasil está no top 5 do que mais emprega servidores. A diferença é que nos países onde o percentual pode chegar a 15% a exemplo do Japão, 80% são contratados sem vantagens adicionais, estabilidade e por tempo determinado. Números oficiais de 2015 indicam que o Brasil possui 3,2 milhões de servidores estáveis. Mas fonte de ONGs indica que o número para o ano de 2018 pode dobrar.

Ha dois meses das eleições, onde o eleitor vai escolher o próximo presidente da República, é latente e manifesta indignação, por conta da mistura da corrupção, má administração pública e total desprezo desta para com a sociedade civil, ou seja: os que dependem da iniciativa privada para trabalhar.

Neste faroeste de mentiras, facínoras e aproveitadores fantasiados de “mocinhos”, eles desprezam a opinião pública. Ainda assim ironicamente recebem o afago do nefasto e corporativo judiciário. Em suma uma dezena de candidatos, (nomes já conhecidos da república, cujo discurso, não convence ninguém.

O resultado dessa melancólica situação está na resposta das pesquisas de opinião, onde quase 50% dos eleitores consultados não querem votar.

O país faliu moralmente, politicamente e desmoronou em seu mais profundo trauma, econômico e social. Os mentirosos de Brasília são cúmplices entre todos, um acoberta e mentem pelo outro e o judiciário afaga esses demônios.

Sem emprego, sem voto, o país patina na inércia. O brasileiro não enxerga o horizonte da recuperação moral, econômica e social. No retrovisor, figuras de um cinismo ímpar, onde não se poupa (inclui aqui o período da ditadura de 1964/1985) nenhum dos ex-presidentes, de Fernando Collor de Melo, FHC e Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff a Michel Temer.

Lula desistiu, sabe que não passa na “Ficha Limpa”, indicou Haddad e vai perder sua quarta eleição.

O discurso populista, de compadrio traz indignação popular. Vamos observar o pleito que se avizinha, onde a urna eletrônica será ou não? A roleta para os mesmos nomes que a rodam há décadas e habitam Brasília e os estados. “Façam o jogo.”