14.12.18

SOPA DE LETRINHAS

MIRANDA SÁ -

“O que não pode é praticar a espiral do silencio, ou seja, evitar de expressar opiniões” (Lia Teodoro Martins)

Miranda Sá (Divulgação)
Para posar de intelectual não bastam a imagem, postura e comportamento; óculos de armação redondinha de ouro, cabeleira despenteada, voz empostada e silêncios medidos, também não. É preciso usar o palavreado próprio da modernidade traduzido do inglês, como metapolítica, pós-verdade e politicamente correto

Ter morado fora do país é importante; e, se for possível, ter feito um curso de três meses em escola de marca – de preferência americana –, com direito a diploma que possa exibir.

metapolítica se refere a relação da base política e a razão desta atividade atuar. Os círculos acadêmicos consideram-na uma ciência, coisa discutível quando ultrapassa dos princípios burgueses da liberdade, igualdade e fraternidade, pondo no balaio da crítica, uma mistura de raça, gênero e religião…

Em reverência aos filósofos Max Scheler e Ortega y Gasset, os aplicadores da metapolítica, agregam à cultura a crítica política ao poder dominante. Sabem quem mergulha de cabeça nessas águas? O futuro chanceler escolhido por Bolsonaro, Ernesto Araújo.

Diplomata de carreira, Araújo esteve isolado muitos anos no Ministério do Exterior que seguia a orientação do comissário bolivariano Marco Aurélio “Top-Top” Garcia, criador do Itamaraty “do B”, ideologizado, para executar uma política que ficou conhecida nos países civilizados como “diplomacia nanica”.

O chanceler vai ter um trabalho danado de limpar nas cavalariças de Áugias o estrume deixado pela má política dos governos um e dois de Lula. Com a metapolítica, ele se inspirou e escreveu no seu blog que “Por incrível que pareça ainda há vida inteligente no alto funcionalismo público brasileiro”.

Mesmo encontrando esses aliados e sendo confiáveis, Araújo deve usar a estratégia de Hércules cavando com as próprias mãos a corredeira que escoará a sujeira acumulada 14 anos pelos governos lulopetistas…

Pulando da metapolítica como atividade cultural, chegamos ao neologismo “pós verdade”, essa coisa esquisita que, para os usuários, é a circunstância sócio-política em que a opinião pública é induzida a desprezar os fatos objetivos e adotar o apelo emocional e as convicções.

É aí que entra a novilíngua do narcopopulismo. A expressão pós-verdade é aplicada pelos intelectualóides “de esquerda” para desviar a visão da realidade fática para discussões diversionistas secundárias que agradam as minorias usadas como cavalos de batalha nas agitações partidárias.

Os “suplementos culturais” se referem à pós-verdade como ideia em que “algo que aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade”. Repete a velha e conhecida história de que a mulher de César não precisa ser honesta, deve parecer honesta…

Nietzsche levou os seus discípulos a crer que “não há fatos, apenas versões”. É por aí que alcançamos o abominável “politicamente correto”, expressão que tornou-se fundamental nos manuais de redação e estilo da mídia globalista.

Começou nos Estados Unidos como uma autodescrição irônica, mas entrou em uso nos meios jornalísticos norte-americanos induzido por uma série de artigos no The New York Times, que propôs evitar, por omissão ou metalinguagem, as referências que discriminam, marginalizam ou insultem pessoas ou grupos que se sintam agredidos.

O engraçado é que o “politicamente correto” quando surgiu no Império, recebeu críticas contundentes dos “progressistas” (os lulopetistas de lá). Depois, porém, “elles” se apropriaram do termo e exportaram-no para os babacas daqui. Estes, com as rédeas do politicamente correto nas mãos, usam-no para criminalizar tudo aquilo com que discordam ou lhes serve de capital político.

Este artigo, é uma simples diversão com a cretinice derrotada eleitoralmente do PT e dos seus puxadinhos. Serve para expressar o repúdio à sopa de letrinhas servida no lanche indigesto nos cursos básicos e universitários das escolas “com partido”…