8.1.19

LIVROS PARA TODAS AS IDADES

LUIZ ANTONIO SIMAS -


Há 10 anos eu tinha cerca de 6 mil livros em casa, morando em um apartamento de dois quartos. Maluquice completa. Resolvi começar a me desfazer da maior parte. Doei bastante coisa e fiz a permuta de livros por cervejas no Al-Farabi, o sebo e restaurante de saudosíssima memória. Bebi boa parte da biblioteca durante uns dois anos. Meu maior orgulho foi ter bebido uma edição espetacular, em 16 volumes, dos Sermões do Padre Antônio Vieira. Bebi os Sermões, bebi os russos, bebi todos os livros de Antiga e Medieval dos tempos da faculdade. Agora, em virtude de mudança de endereço, resolvi reduzir ainda mais a quantidade de livros e ficar, no máximo, com uns 800 exemplares com recorte definido: futebol, samba, carnaval, cultura popular, macumba e Rio de Janeiro, além de alguma literatura brasileira que me interessa e de certa forma se relaciona com esses temas.

Nessa nova limpa, acabei de doar algo em torno de 400 livros (tem coisa muito boa, mas que não me interessa mais ler ou estudar) para o Seu Paulo, um senhor de Bonsucesso que faz uma trabalho maravilhoso distribuindo livros em comunidades da Leopoldina e da Grande Tijuca. Quem me indicou foi o pessoal da Biblioteca Municipal Martins Pena, na Tijuca. Seu Paulo é um senhorzinho batalhador, passa o dia na rua, pegando livros na cidade inteira, tem um projeto bacana de troca de livros por descarte de materiais de plástico (descarte corretamente e ganhe um livro) e vive pra isso.

Quem quiser doar livros para todas as idades, é só me dar um toque no privado do facebook e passo o contato dele, que pediu essa força.

Liberdade da irrelevância

Tomando uns biricoticos enquanto o cachorro e as crianças brincam numa praça da Zona Norte, senti uma saudade curiosa e um alívio ligado aos meus 30 anos. Saudade de um tempo em que eu me achava esperançosamente relevante. Alívio pela rigorosa convicção, que só Tempo dá, de que era só ilusão e vaidade disfarçada mesmo. A liberdade da irrelevância é uma beleza. Acho que entendi o meu odu. Olorum modupé! (via Facebook)