12.1.19

TRABALHADORES SÃO RECEBIDOS POR POLICIAIS EM INDÚSTRIA DE VIDRO

REDAÇÃO -

Nas primeiras horas desta quinta-feira (10), trabalhadores na indústria de vidros Owens Illinois, na zona leste de São Paulo, tentaram realizar uma manifestação contra as terceirizações e a precarização que têm ocorrido na empresa, mas foram recebidos pela Polícia Militar, que tentou impedir a ação. 


No entanto, mesmo com a intimidação policial, o ato, organizado pelo Sindicato dos Vidreiros de São Paulo, teve a adesão dos trabalhadores, que permaneceram na rua, atrasando o início da produção da empresa. Funcionários que já estavam dentro da fábrica, ao tomarem conhecimento do ato e da presença policial, também saíram para se unir aos demais companheiros. 

Os participantes relatam que a PM chegou dez minutos após o carro de som, que seria usado na atividade, estacionar em frente à fábrica e que ela foi agressiva com os trabalhadores e aplicou, inclusive, uma multa ao motorista do carro. Com cassetetes e forte armamento, os policiais ameaçavam agredir quem seguisse com o ato. 

Segundo o sindicato, desde o ano passado, a Owens Illinois, antiga Cisper, tem promovido muitas demissões e recontratando, imediatamente, terceirizados para os mesmos cargos. Na unidade de São Paulo, por exemplo, a empresa tem cerca de dois mil funcionários, mas grande parte deles já não está no regime CLT. 

Além disso, os vidreiros que seguem contratados diretamente pela fábrica sofrem com a precarização de suas atividades, com redução de salários e na PLR (participação nos resultados). 

“Isso é resultado da reforma trabalhista, que junto com a permissão de terceirização dos setores-fins, está acabando com muitas famílias. As empresas demitem e depois oferecem a mesma vaga, de forma precária, salário menor e sem nenhum direito. Aproveitam o desemprego em alta, pois assim o trabalhador acaba aceitando para não passar fome”, diz Fernando Silva, o Cabeção, dirigente do sindicato e da CUT-SP. 

A reportagem tentou contato com a Owens Illinois, mas até o momento não houve resposta.


Fonte: CUT São Paulo