14.3.19

UMA INVESTIGAÇÃO EM CÂMERA LENTA, QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?

ALCYR CAVALCANTI -

No início da noite de 14 de março de 2018  na Rua João Paulo no bairro do Estácio, próximo à Estação do Metro de mesmo nome, em frente a uma instituição que abriga menores, a vereadora Marielle  Franco e seu motorista Anderson Gomes foram barbaramente executados por um matador profissional que seguia seus passos há algum tempo, desde novembro de 2017.  Ela havia saído de uma palestra na Casa das Pretas no Centro do Rio e seria homenageada dias depois na ALERJ durante as comemorações do Mês da Mulher.


Mulher voluntariosa, de pele negra oriunda da Favela da Maré fez seus estudos desde o ensino fundamental até seu mestrado na UFF com muito sacrifício, o que viria a influenciar na sua luta em prol da defesa incondicional dos Direitos Humanos, em especial dos desprotegidos. Durante um tempo destacou-se nesta luta, às vezes inglória, na ALERJ no gabinete do deputado Marcelo Freixo do PSOL.

Inúmeras hipóteses foram levantadas, em uma época em que se tenta obscurecer a luta pelos direitos de todos os seres humanos com um sofístico jogo de palavras e um slogan que prega a barbárie, Marielle criou uma série de inimigos. Mas uma coisa ficou clara, foi um crime de fundo político, principalmente depois do crescimento de uma direita raivosa e desconexa que prega a destruição e execuções sumárias em nome de uma falsa moral com teorias estapafúrdias que podem levar a um retorno à barbárie.

Um ano depois de muitas contramarchas são apresentados dois pistoleiros acusados de executar a vereadora e seu motorista, todos dois ligados às milícias, organizações para militares formadas basicamente por ex-policiais, ex-militares e mesmo por policiais e militares que ainda estão na atividade legal de proteger a sociedade. Os prováveis assassinos o sargento PM reformado Ronnie Lessa e o PM expulso da corporação Élcio Vieira de Queiroz tem rede de relações de uma ou outra forma com membros da família Bolsonaro e de seu partido o PSL. Ronnie mora em uma casa muito confortável no mesmo condomínio do presidente Bolsonaro na Barra da Tijuca, embora seu salário de reformado da PM não seja compatível com tanto luxo. Ambos também são ligados à contravenção, aos jogos proibidos e ao banqueiro de bicho Rogério Andrade, herdeiro do espólio de Castor de Andrade. Em função dessa ligação Ronnie Lessa foi atingido por um artefato explosivo que atingiu sua perna, sendo reformado por invalidez. Mas mesmo assim continuou a ser um exímio atirador e a sempre exercer sua atividade.


Um ano depois de muitas investigações, muito sigilo e  muitas dúvidas que motivaram desde os primeiros dias comentários nada favoráveis à condução das investigações por parte de organismos internacionais, inclusive da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos-OEA, do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas-ONU que considerou inadmissível a lentidão do andamento das investigações o caso parece estar a ser solucionado. O delegado  Giniton Lages da Delegacia de Homícídios  na véspera de completar um ano e de um relatório de mais de 5.700 páginas declarou como executor o sargento PM Ronnie Lessa em uma viatura conduzida pelo seu comparsa o PM expulso da corporação Élcio Queiroz. No dia seguinte à prisão dos dois prováveis assassinos e a uma árdua explicação à sociedade, o delegado foi afastado do caso e transferido para a Itália. Mas a pergunta continua e a sociedade exige uma explicação, "Quem mandou matar Marielle, e por qual motivo?".